BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para cobrir perdas com Banco Master e garantir sua estabilidade
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou a necessidade urgente de R$ 8,8 bilhões para lidar com eventuais perdas financeiras decorrentes de operações realizadas com o Banco Master. O montante visa funcionar como uma reserva crucial para manter a solidez do banco estatal e evitar sua quebra.
A cifra foi estabelecida após uma auditoria interna revelar que, de um total de R$ 30 bilhões em títulos adquiridos do Banco Master, aproximadamente R$ 8,8 bilhões podem representar perdas. Deste valor, um montante de R$ 2,6 bilhões não possui lastro, ou seja, carece de garantias reais para o reembolso ao BRB.
“Existem outros ativos frágeis que, na análise que fizemos, chegam a R$ 8,8 bi”, explicou Souza, enfatizando que a provisão abrange mais do que apenas os valores sem garantia. Conforme divulgado pelo banco, a operação para cobrir o rombo e tranquilizar correntistas e o mercado está em andamento, com o Governo do Distrito Federal (GDF) atuando como principal acionista.
Governo do DF busca aprovação para empréstimo ao FGC e securitização de dívidas
Para viabilizar a capitalização necessária, o GDF, detentor de 53,7% das ações do BRB, propôs um projeto de lei à Câmara Legislativa do DF. A proposta autoriza um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma entidade privada que recebe contribuições de instituições financeiras. A operação já teve homologação do Supremo Tribunal Federal (STF) no final de maio.
Complementando o aporte necessário, o GDF utilizará a securitização de sua própria dívida, permitindo o recebimento antecipado de créditos a vencer. Essa medida, segundo Nelson Antônio de Souza, é fundamental para completar os R$ 8,8 bilhões de provisionamento, sendo que apenas R$ 2,2 bilhões adicionais seriam necessários para atingir o valor total.
Securitização e participação do BTG Pactual visam arrecadar fundos adicionais
A securitização da dívida do GDF já resultou em um recebimento de R$ 1,17 bilhão para o BRB em 25 de maio. A expectativa é que, com a estruturação financeira realizada em parceria com o banco BTG Pactual, o BRB arrecade, no mínimo, mais R$ 3 bilhões através deste mecanismo.
“Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, afirmou Souza, ressaltando que a aprovação do projeto de lei pela Câmara Legislativa é um passo indispensável para a concretização do plano e a **sobrevivência do BRB**.
BRB se declara a maior vítima do problema e busca evitar intervenção
O presidente do BRB reconheceu que a instituição enfrenta um momento desafiador, classificando o banco como “o maior problema” do sistema financeiro nacional e a “maior vítima” da situação envolvendo o Banco Master. O BRB administra cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de quatro estados e do Distrito Federal, além de deter aproximadamente 64% dos financiamentos imobiliários da capital federal.
Souza alertou que a eventual liquidação ou intervenção do BRB pelo Banco Central (através de um Regime de Administração Extraordinária Temporária – RAET) traria sérias consequências não apenas para Brasília, mas para todas as regiões onde o banco atua. Ele garantiu, contudo, que com o provisionamento, o banco possui **condições estruturais para continuar operando** regularmente, estando mais saudável do que em novembro do ano anterior.


