Guterres apela por atenção global à crise humanitária no Haiti, destacando a urgência e a gravidade da situação.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um apelo contundente durante sua visita ao Haiti, afirmando que o mundo **não tem o direito de desviar o olhar** da crise humanitária que assola o país caribenho.
Guterres classificou a situação como a **”mais grave em curso no Hemisfério Ocidental e a que piora mais rapidamente”**, ressaltando a urgência de ações concretas e o fim da indiferença internacional.
Durante sua visita, o líder da ONU esteve em um acampamento de deslocados internos, reuniu-se com a força internacional para discutir o apoio logístico no combate às gangues e encontrou-se com o primeiro-ministro, Alix Didier Fils-Aimé. As informações foram divulgadas pela ONU.
Violência armada e suas vítimas no Haiti
O Haiti enfrenta um cenário de profunda instabilidade política, marcado por violentos conflitos entre grupos armados que controlam partes significativas da capital, Porto Príncipe. O país vive sob o governo de Fils-Aimé, com apoio dos Estados Unidos, mas não realiza eleições desde 2016.
A violência armada já causou mais de **2,3 mil mortos e 1,1 mil feridos** apenas neste ano. Segundo a ONU, as **mulheres e crianças são as maiores vítimas** da falta de segurança, com infâncias roubadas e um aumento alarmante no recrutamento de menores por gangues.
O texto divulgado pela ONU detalha que o número de menores recrutados por gangues **triplicou em apenas um ano**, privando esses jovens de proteção, educação e futuro. A violência de gênero também é uma triste realidade, com uma média de mais de 20 mulheres e meninas sendo agredidas diariamente.
A “maior desgraça”: a indiferença global
António Guterres criticou veementemente a **ligação direta entre a ausência da comunidade internacional e a precária segurança** para o povo haitiano. Ele considera a indiferença global como **”a maior desgraça”** que se abate sobre o Haiti.
Os dados alarmantes indicam que **6 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar** no país, e **1,5 milhão foi deslocada pela violência**. O Haiti possui uma população de aproximadamente 12 milhões de habitantes.
O chefe da ONU declarou que o avanço das gangues criminosas busca roubar o futuro do país, mas que a **solidariedade internacional e a cooperação local começam a desenhar uma luz no fim do túnel**.
Apoio internacional e a esperança de recuperação
Apesar do cenário desafiador, agências internacionais e parceiros humanitários prestaram auxílio essencial a quase 3 milhões de pessoas no último ano. No entanto, o esforço é limitado pela **falta de compromisso financeiro** da comunidade internacional.
Segundo a ONU, os fundos para o Plano de Resposta Humanitária alcançaram apenas **25% dos US$ 880 milhões necessários** para este ano. Guterres enfatizou que “o Haiti não está pedindo caridade, mas que o mundo cumpra sua palavra em um momento em que não pode esperar”.
Ainda assim, o secretário-geral da ONU vislumbra uma **”virada que já começou”**, destacando a recuperação gradual de bairros em Porto Príncipe e o espírito de resiliência do povo haitiano, que “recusa a se curvar diante da violência”.
O espírito de luta e a Batalha de Vertières
Em um momento de sensibilidade cultural, Guterres também citou a importância histórica da **Batalha de Vertières**, em 1803, onde o povo haitiano conquistou sua independência contra colonizadores franceses. Ele comparou essa luta pela liberdade ao espírito que “vive hoje” no país.
Esta referência ganha destaque após a seleção de futebol do Haiti ter sido forçada a mudar seu uniforme na Copa do Mundo por referências à luta pela independência, consideradas pela Fifa como violação de regulamento. O Haiti é o próximo adversário do Brasil na competição.


