Unesp Avança na Inclusão: Política de Reserva de Vagas para Docentes PPI é Aprovada
Em uma decisão considerada um marco para a diversidade e equidade, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (CEPE) da Unesp aprovou, por unanimidade, a política de reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI) em concursos públicos para a carreira docente. A medida visa corrigir a histórica sub-representação desses grupos no quadro de professores da universidade.
A nova política estabelece que um terço das vagas abertas para contratação de docentes será destinado a candidatos negros e indígenas. Essa iniciativa, pioneira entre as universidades estaduais paulistas no segmento docente, reflete um compromisso institucional com a construção de uma universidade mais plural e representativa da sociedade brasileira.
A aprovação da reserva de vagas PPI para o corpo docente chega após um minucioso estudo realizado por um grupo de trabalho, que apontou a necessidade de uma política estruturada para mitigar a sub-representação racial. Conforme informação divulgada pela Unesp, a decisão não é apenas administrativa, mas uma necessidade institucional, jurídica e estratégica para a universidade.
Um Marco para a Equidade Racial na Docência
A resolução aprovada pelo CEPE prevê, já no primeiro ano de implementação, a contratação de um docente negro ou indígena em cada uma das 34 unidades universitárias da Unesp. O vice-reitor Cesar Martins, presidente do colegiado, destacou o caráter histórico da aprovação, ressaltando que é um **grande passo para as políticas de diversidade e equidade** da instituição.
A professora Maria Valéria Barbosa, assessora da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), que coordenou o grupo de trabalho, celebrou o avanço. “Foi um grande avanço a gente ter conseguido equacionar a questão, porque a Unesp faz concursos descentralizados. Fizemos da forma mais simples: a cada três contrata um (PPI). Com isso, você consegue aplicar a política e ela consegue ser efetiva”, explicou.
Combate à Sub-representação Histórica
O estudo que embasou a decisão revelou que, em janeiro deste ano, a Unesp contava com 201 docentes pretos, pardos ou indígenas, representando aproximadamente 6% do total de 3.055 professores. Esse percentual é significativamente inferior à representatividade desses grupos na população do estado de São Paulo, que é de cerca de 40% de negros.
A professora Maria Valéria Barbosa enfatizou a disparidade: “Veja que temos 40% de negros na população do estado de São Paulo, e a quantidade de professores negros na universidade é muito, muito inferior a este percentual. O que a gente fez, neste momento, foi um primeiro passo, mas um enorme feito”.
Um Caminho Mais Eficaz para a Inclusão
A Unesp já havia sido pioneira em 2013 ao aprovar a reserva de vagas para estudantes PPI no vestibular, uma política que passou a valer no ano seguinte. Agora, a universidade busca replicar esse sucesso no corpo docente. O pró-reitor de ações afirmativas, Leonardo Lemos de Souza, ressaltou que a reserva de vagas é considerada mais eficaz do que a atribuição de pontuações diferenciadas em concursos.
“Uma das missões desta comissão foi não trabalhar com a pontuação, porque eles entendem que no caso dos processos seletivos docentes a pontuação, na verdade, não garante a presença das pessoas pretas, pardas e indígenas”, afirmou o pró-reitor, reforçando a escolha pela política de cotas.
Um Futuro Mais Plural e Representativo
A criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade) há cerca de um ano, fortaleceu a discussão e a implementação de políticas como essa. A expectativa é que a nova política de reserva de vagas para docentes PPI contribua significativamente para que a Unesp se torne “uma universidade mais com a cara do Brasil, uma universidade mais plural”, conforme as palavras de Maria Valéria Barbosa.
A verificação da autodeclaração de pretos e pardos nos concursos docentes seguirá um protocolo semelhante ao já aplicado aos estudantes, garantindo a efetividade da medida e o acesso equitativo à carreira acadêmica na Unesp.

