Lula no G7: Tarifas dos EUA e veto europeu à carne brasileira em foco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a França neste domingo (13) para participar da Cúpula do G7, reunindo as sete maiores economias industrializadas do planeta. Esta é a 10ª vez que Lula participa do encontro, onde a expectativa gira em torno de possíveis negociações com o presidente dos EUA, Donald Trump, e a resolução do veto da União Europeia à carne brasileira.
A viagem ocorre em um momento de tensão comercial com os Estados Unidos, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) indicar uma taxação de 25% sobre importações brasileiras. Essa medida, segundo o USTR, é uma resposta a supostas “práticas desleais” do Brasil, citando o Pix e o WhatsApp Pay como prejudiciais a empresas americanas de pagamento eletrônico.
Outro ponto crucial na agenda de Lula é a relação com a União Europeia, que oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. A decisão, que entrará em vigor em setembro, foi anunciada pouco após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e UE, gerando surpresa e preocupação no governo brasileiro. Conforme informação divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Philip Fox-Drummond Gough destacou a preocupação do Brasil com as medidas europeias e a busca por soluções.
Esperança de diálogo com Trump e resolução de tarifas
A participação de Lula na Cúpula do G7 abre a possibilidade de um novo encontro com Donald Trump. A última reunião entre os líderes ocorreu em maio, na Casa Branca, onde ambos orientaram suas equipes a apresentarem propostas para resolver o impasse comercial. No entanto, até o momento, não há confirmação oficial sobre uma reunião bilateral. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough afirmou que os contatos com os Estados Unidos seguem intensos e em andamento.
Esta cúpula também será o primeiro contato entre Lula e Trump após o governo americano designar formalmente facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). O Brasil vinha tentando evitar essa designação, temendo possíveis ações militares ou sanções severas por parte dos EUA.
Veto europeu à carne brasileira e busca por diálogo
A União Europeia oficializou o veto à importação de diversos produtos de origem animal brasileiros, uma decisão que preocupa o governo brasileiro. O veto, que deve vigorar a partir de setembro, gerou surpresa, especialmente por ocorrer após a aprovação provisória do acordo Mercosul-UE. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough expressou a intenção de Lula em discutir essas medidas com os europeus, buscando entender e resolver as questões levantadas.
Embora não haja confirmação de um encontro entre Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a pauta certamente estará presente nas discussões. O Brasil busca esclarecer as razões do veto e encontrar caminhos para reverter a decisão, que afeta um setor importante da economia nacional.
Agenda brasileira no G7: Desenvolvimento, governança global e IA
Lula participará de três eventos durante o G7. No dia 16, ele discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, defendendo a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) para países vulneráveis. No dia 17, o foco será o crescimento econômico equilibrado e a reforma da governança global, com ênfase na Organização Mundial do Comércio (OMC) e na ONU.
Ainda no dia 17, haverá um almoço dedicado à Inteligência Artificial (IA), tema cada vez mais relevante nas discussões internacionais. O Brasil busca se posicionar ativamente nesses debates, visando o desenvolvimento sustentável e a cooperação global.
Encontro com o Japão e potencial acordo com Mercosul
Um encontro já confirmado na agenda de Lula é com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este será o primeiro encontro oficial entre ambos e há uma expectativa de que possam ser iniciadas negociações para um futuro acordo entre o Japão e o Mercosul. A cúpula do G7, presidida pela França, também contará com a presença de líderes de outros países importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito, além de uma provável reunião com o anfitrião, Emmanuel Macron.


