Lula no G7: Presidente cobrará mais ajuda ao desenvolvimento e reforma da governança global para países vulneráveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para sua décima participação como convidado na Cúpula do G7, que reunirá as sete maiores economias do mundo em Évian-les-Bains, na França, entre 15 e 17 de junho. O encontro, que este ano tem a França como presidente, contará com a presença de líderes de outras nações importantes, como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.
O Brasil, representado por Lula, terá a oportunidade de discutir temas cruciais para o desenvolvimento global e a reestruturação das instituições internacionais. A participação do presidente brasileiro promete trazer à tona debates sobre a necessidade de um sistema multilateral mais justo e eficaz, além de reforçar a importância da cooperação internacional.
A agenda de Lula na cúpula inclui discussões sobre parcerias para o desenvolvimento e a urgência de uma nova governança global. Conforme informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores, o presidente pretende enfatizar a importância da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) e defender um modelo de crescimento econômico mais equilibrado. A expectativa é que o Brasil apresente suas propostas para fortalecer essas áreas durante os encontros.
Lula defenderá ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD)
No dia 16 de junho, Lula discursará em uma sessão de líderes focada em parcerias internacionais para o desenvolvimento. O principal ponto a ser abordado será a necessidade de ampliar a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), também conhecida como ODA (Official Development Assistance). Essa assistência consiste em repasses financeiros de países mais industrializados para nações em situação de vulnerabilidade, visando promover o bem-estar e o desenvolvimento econômico.
O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, destacou a preocupação brasileira com a queda nos valores da AOD nos últimos anos. Ele explicou que essa redução gera apreensão, especialmente entre os países em desenvolvimento. Espera-se que o G7, sob a presidência francesa, pactue uma declaração conjunta propondo caminhos para fortalecer essa ajuda internacional, possivelmente incluindo parcerias com o setor privado.
Reforma da governança global em foco
No dia seguinte, 17 de junho, Lula abordará o tema do crescimento econômico equilibrado e defenderá a reforma da governança global. O presidente pretende enfatizar a necessidade de modernizar instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Lula já havia sinalizado essa intenção, criticando o desmonte do multilateralismo e a desvalorização das instituições.
“Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, afirmou o presidente em reunião ministerial, reforçando a defesa do fortalecimento das Nações Unidas e a reforma do seu Conselho de Segurança. Essa postura surge em um contexto de tensões comerciais, como a sugestão de taxação de importações brasileiras pelos Estados Unidos, que acusa o Pix de prejudicar empresas americanas.
Inteligência Artificial e outros temas na pauta do G7
A inteligência artificial (IA) será outro tema central em um almoço no dia 17 de junho. A delegação brasileira apresentará sua visão sobre as oportunidades e os riscos dessa tecnologia. A discussão sobre a regulamentação da IA é uma pauta relevante no Brasil, com um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que busca estabelecer princípios para o desenvolvimento e uso seguro e ético da tecnologia.
Além desses temas, o G7 discutirá parcerias internacionais para o desenvolvimento, crescimento econômico equilibrado, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, combate ao narcotráfico, luta contra o câncer, enfrentamento ao contrabando de migrantes e minerais críticos. O Brasil tem particular interesse neste último tema, devido às suas vastas reservas de terras raras e minerais críticos, buscando agregar valor localmente à extração desses recursos.


