Enviado de Trump propõe substituição do Irã pela Itália na Copa do Mundo, gerando polêmica
A possibilidade de a Itália, tetracampeã mundial, substituir o Irã na Copa do Mundo deste ano, que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, foi levantada por Paolo Zampolli, um ítalo-americano que se apresenta como enviado especial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
A sugestão foi feita diretamente ao presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Gianni Infantino. Zampolli, nascido em Milão, compartilhou a informação em suas redes sociais, descrevendo a proposta como uma “notícia real” e um “sonho” para o futebol italiano, justificando a inclusão da Azzurra com seus quatro títulos mundiais.
No entanto, a ideia não foi bem recebida por figuras importantes do esporte e do governo italiano. O ministro do Esporte e da Juventude, Andrea Abodi, classificou a fala de Zampolli como “inoportuna”. Já o presidente do Comitê Olímpico da Itália, Luciano Buonfiglio, considerou a proposta uma “ofensa”, argumentando que a vaga na Copa deveria ser conquistada em campo.
Itália fora da Copa e a polêmica com o Irã
A Itália não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, sendo eliminada pela Bósnia e Herzegovina nos pênaltis, durante a repescagem das eliminatórias europeias. Essa ausência histórica motivou a sugestão inusitada de Zampolli.
A participação do Irã no mundial já havia sido questionada devido às tensões com os Estados Unidos, país onde a seleção asiática disputará todos os seus jogos da fase de grupos. A estreia iraniana está marcada para 15 de junho, em Los Angeles, contra a Nova Zelândia. Os jogos seguintes serão em 21 de junho, em Los Angeles, contra a Bélgica, e em 28 de junho, em Seattle, contra o Egito.
Fifa se mantém otimista, enquanto México ofereceu ajuda
A Fifa, procurada pela Agência Brasil, não se manifestou oficialmente sobre a proposta de Zampolli. Contudo, a entidade tem demonstrado otimismo quanto à participação do Irã no torneio, seguindo o cronograma definido no sorteio dos grupos em dezembro do ano passado.
Em meio às especulações, o México chegou a se oferecer para sediar as partidas do Irã em seu território, em vez dos Estados Unidos, mas essa proposta não foi aceita pela Fifa. A questão da participação iraniana em solo americano continua sendo um ponto de atenção.
Proposta com fins políticos e diplomáticos
A reportagem do jornal italiano Corriere della Sera sugere que a ideia de Zampolli pode ir além do esporte. A proposta também visaria aproximar Donald Trump do eleitorado ítalo-americano, especialmente após declarações controversas do ex-presidente em relação ao Papa. Além disso, buscaria restabelecer as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que estariam estremecidas.
A sugestão de Zampolli, portanto, parece envolver uma complexa teia de interesses políticos e diplomáticos, além da paixão pelo futebol, levantando debates sobre a integridade esportiva e as relações internacionais.


