Investimento em novo modal levanta críticas diante de falhas no transporte público e enchentes recorrentes
A implantação de patinetes elétricos em Santo André, anunciada como avanço na mobilidade urbana, tem gerado questionamentos sobre as prioridades da administração municipal. O serviço, com cerca de 300 equipamentos e operação restrita inicialmente ao entorno do Parque Central, é apresentado como alternativa moderna para deslocamentos curtos.
Apesar do discurso de inovação, a iniciativa contrasta com problemas estruturais enfrentados diariamente pela população, como transporte público considerado insuficiente e episódios frequentes de alagamentos em diferentes regiões da cidade.
Na prática, o alcance do novo serviço tende a ser limitado, tanto pela área de operação quanto pelo perfil de uso — restrito a maiores de 18 anos e voltado a trajetos curtos. Isso levanta críticas de que a medida atende uma parcela mínima da população, sem impacto relevante na mobilidade urbana como um todo.
Além disso, especialistas costumam apontar que modais como patinetes têm papel complementar, e não substitutivo, no sistema de transporte. Sem investimentos mais robustos em ônibus, integração e infraestrutura viária, o efeito tende a ser pontual.
Para críticos, a adoção do serviço evidencia uma inversão de prioridades: enquanto questões estruturais seguem sem solução definitiva, recursos e atenção são direcionados a iniciativas de alcance limitado, com impacto reduzido no dia a dia da maioria dos moradores.
O debate sobre mobilidade em Santo André, portanto, permanece centrado na necessidade de políticas mais amplas e eficazes, capazes de enfrentar os desafios reais enfrentados pela população.


