Emirados Árabes Unidos expressam profunda preocupação com o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, peça chave para o transporte de petróleo e gás. A nação do Golfo Pérsico exige a completa liberdade de navegação em um dos pontos mais estratégicos do mundo para o comércio energético global.
O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, declarou enfaticamente que o Estreito de Ormuz “não está aberto”. Segundo ele, “o acesso está sendo restringido, condicionado e controlado”. Al Jaber ressaltou que “passagem condicionada não é passagem, é controle disfarçado” e que isso representa uma clara violação da liberdade de navegação internacional.
As restrições impostas pelo Irã geram graves consequências econômicas, impactando diretamente o fornecimento de energia e elevando os preços do petróleo no mercado internacional. Conforme Al Jaber, que também chefia a gigante estatal de petróleo dos Emirados, a Adnoc, cerca de 230 navios carregados de petróleo aguardam para zarpar, e cada dia de restrição “agrava as consequências”, com atrasos no fornecimento e aperto nos mercados. Essa situação é agravada pelo fato de que por este estreito transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás do planeta.
A tensão se intensificou após o Irã anunciar um acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos, que incluiria a “coordenação” iraniana para a passagem pelo Estreito de Ormuz. Um comunicado do ministro das Relações Exteriores de Teerã, Seyed Abbas Araghchi, informou que “durante um período de duas semanas, a passagem segura pelo Estreito de Ormuz será possível mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e levando em consideração as limitações técnicas”.
Em meio a essas declarações, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um mapa com rotas alternativas para navegação no Estreito de Ormuz, citando a presença de minas antinavios como justificativa. Dados de empresas de monitoramento de navios, como Kpler, Lloyd’s List Intelligence e Signal Ocean, apontam para uma circulação reduzida de embarcações. Nas últimas 24 horas, apenas um navio-tanque de produtos petrolíferos e cinco graneleiros teriam navegado pelo estreito, segundo informações da Reuters.
Uma autoridade iraniana, que pediu para não ser identificada, informou à agência russa Tass que a permissão seria para apenas 15 embarcações por dia durante as duas semanas do cessar-fogo, sujeitas à aprovação de Teerã e ao cumprimento de um protocolo específico. A comunidade internacional tem aumentado a pressão para que o Irã libere completamente o Estreito de Ormuz, sem a cobrança de qualquer tipo de pedágio. Teerã, no entanto, defende que o status do estreito não voltará a ser o mesmo devido às agressões sofridas por parte dos Estados Unidos e Israel.
O Irã também alega que a recente violação do cessar-fogo por parte de Israel, com bombardeios massivos no Líbano, coloca o acordo em risco. Uma reunião está agendada para esta sexta-feira (10) em Islamabad, no Paquistão, entre representantes de Teerã e Washington para discutir o futuro do conflito e a situação no Estreito de Ormuz.


