Rússia e China vetam resolução na ONU sobre Estreito de Ormuz, criticando abordagem unilateral e propondo alternativa.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou um projeto de resolução que condenava o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A decisão foi marcada pelos vetos da Rússia e da China, que argumentaram que o texto apresentado pelo Bahrein, em nome dos países do Golfo Pérsico, apresentava uma visão desequilibrada do conflito.
O projeto de resolução criticava unicamente as retaliações iranianas, sem mencionar as agressões atribuídas aos Estados Unidos e Israel. Essa omissão foi um dos principais pontos de discórdia para Rússia e China, que defendem uma análise mais abrangente das causas da tensão na região. As negociações sobre o futuro do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás mundial, continuam em um cenário de alta complexidade geopolítica.
A proposta, que buscava garantir o direito de defesa das embarcações contra ataques, foi vista por Moscou e Pequim como uma tentativa de oferecer cobertura a ações futuras de outros atores. Conforme informação divulgada pela ONU, onze membros votaram a favor do texto, enquanto Colômbia e Paquistão se abstiveram, evidenciando as divergências dentro do órgão.
Bahrein defende soberania e livre navegação, Irã acusa “punição”
O Bahrein, representando outros países do Golfo, defendeu a aprovação da resolução, argumentando que o Irã não tem o direito de fechar o Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, alertou que a não adoção da resolução enviaria um “sinal errado ao mundo”, indicando que ameaças às vias navegáveis internacionais poderiam ocorrer sem uma resposta decisiva.
Em contrapartida, o embaixador do Irã, Amir Saeid Iravani, afirmou que o projeto visava “punir a vítima por defender sua soberania”. Ele acusou os Estados Unidos e Israel de serem os agressores e de buscarem “cobertura política e jurídica para futuros atos ilegais”. Iravani assegurou que embarcações não hostis poderiam continuar a passar livremente pelo estreito.
Rússia e China apontam “abordagem errônea” e prometem resolução alternativa
O embaixador russo, Vassily Nebenzia, classificou o projeto como “fundamentalmente errôneo e perigoso”, criticando a omissão dos ataques ilegais de EUA e Israel. Ele relembrou o caso da Líbia em 2011, onde uma interpretação vaga de uma resolução do Conselho de Segurança levou à intervenção militar e à desestabilização do país.
Nebenzia anunciou que Rússia e China “em breve” apresentarão uma resolução alternativa, que será “concisa, equitativa e equilibrada”. A China, por meio de seu embaixador Fu Cong, também destacou a falta de uma análise abrangente das “causas profundas” do conflito, alertando contra a precipitação na votação de projetos com preocupações significativas levantadas por membros.
EUA acusam China e Rússia de alinhamento com “regime intimidador”
O representante dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz, enfatizou a importância vital do Estreito de Ormuz para o mundo, declarando que ele não pode ser “usado como refém, bloqueado ou instrumentalizado por qualquer Estado”. Os EUA expressaram solidariedade aos países do Golfo e acusaram China e Rússia de se alinharem a um “regime que busca intimidar o Golfo para subjugá-lo”.
A tensão na região escalou após o Irã retaliar bases militares americanas e infraestruturas energéticas em países do Golfo, que Teerã considera cúmplices nos ataques sofridos por Israel e EUA. O Irã justifica suas ações como defesa de sua soberania e interesses nacionais vitais no Estreito de Ormuz.


