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Hezbollah Ataca Israel Após Cessar-Fogo Quebrado; Irã e EUA em Diálogo Delicado

Radar ABC
Última atualização: 04/09/2026 23:34
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5 min de leitura

Hezbollah retalia ofensiva israelense no Líbano, elevando risco para cessar-fogo mediado por EUA e Irã.

O grupo político-militar libanês Hezbollah retomou ações militares contra Israel nesta quinta-feira (9), alegando violação do cessar-fogo previamente acordado. A resposta do Hezbollah surge após o que o grupo descreve como uma grande ofensiva israelense no Líbano, que teria resultado em pelo menos 250 mortos um dia após a trégua.

Em comunicado divulgado, o Hezbollah afirmou que seus combatentes atacaram o assentamento de Manara com uma saraivada de foguetes nas primeiras horas da manhã, em resposta à agressão israelense. O grupo xiita anunciou uma série de ataques de foguetes contra o norte de Israel, prometendo que a resposta continuará até que a “agressão israelense-americana cesse”.

Por outro lado, Israel rejeita a inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo, declarando que continuará suas operações para “eliminar qualquer ameaça ao Estado de Israel”. A Força de Defesa de Israel (FDI) informou ter neutralizado oito membros do Hezbollah, incluindo Maher Qassem Hamdan, comandante do grupo na região de Chebaa.

A situação do cessar-fogo está em risco, com o Irã ameaçando romper o acordo devido aos bombardeios no Líbano, argumentando que a trégua deveria abranger todas as frentes de batalha no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, no entanto, tem afirmado que o Líbano não estava incluído no acordo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do cessar-fogo, confirmou que o fim dos combates no Líbano era parte das negociações.

Pressões internacionais e fragilidade do acordo

Países como França, Reino Unido e Espanha, além de representantes da União Europeia, têm pressionado para que o Líbano seja incluído no acordo de cessar-fogo. O presidente do Líbano, Masoud Pezershkian, declarou que a continuidade das agressões no Líbano torna as negociações para o fim da guerra “sem sentido”.

Representantes do Irã e dos EUA têm uma reunião marcada para esta sexta-feira (10), em Islamabad, Paquistão, para discutir os pontos de um possível acordo para o frágil cessar-fogo de duas semanas. A expectativa é que os detalhes do acordo e a abrangência da trégua sejam temas centrais.

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Contexto histórico e escalada do conflito

Os bombardeios de Israel contra o Líbano se intensificaram com o início da guerra no Irã, após o Hezbollah retomar ataques contra Israel em 2 de março. O Hezbollah alega que suas ações são em retaliação aos ataques israelenses contra o Líbano nos últimos meses e em resposta ao assassinato do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

O conflito entre Israel e o Hezbollah tem raízes profundas, remontando à década de 1980, quando o grupo xiita foi criado em resposta à invasão israelense do Líbano. Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país, tornando-se um influente partido político. A atual escalada do conflito está ligada à destruição da Faixa de Gaza a partir de 2023, com o Hezbollah lançando foguetes contra o norte de Israel em solidariedade aos palestinos e para desgastar as defesas israelenses.

Acordo de novembro e descumprimentos mútuos

Em novembro de 2024, um acordo de cessar-fogo foi costurado entre o Hezbollah e o governo de Benjamin Netanyahu, após Israel ter neutralizado lideranças do grupo. No entanto, Israel continuou com ataques e bombardeios periódicos contra o Líbano, alegando atingir infraestrutura do Hezbollah, que evitou reagir até o início da guerra no Irã. O Líbano já foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.

A quebra do cessar-fogo, com a recente ofensiva israelense e a resposta do Hezbollah, coloca em xeque os esforços diplomáticos para estabilizar a região. A posição de Israel em excluir o Líbano do acordo e a determinação do Hezbollah em retaliar criam um cenário de alta instabilidade.

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