Cuba estuda movimentação militar dos EUA em resposta a ameaças de Trump e endurecimento do bloqueio.
Diante das recentes ameaças de Donald Trump de “tomar Cuba”, o governo cubano intensificou o estudo de movimentações militares dos Estados Unidos na região. O embaixador cubano, José R. Cabañas Rodríguez, afirmou que a ilha está preparada para uma eventual invasão, uma possibilidade que, segundo ele, é constantemente analisada.
“Os que precisam analisar a iminência, ou não, da invasão fazem o seu trabalho, se estuda constantemente o movimento das forças militares, sabemos que a guerra hoje pode ser liberada à distância”, declarou o diplomata, diretor do Centro de Investigações de Política Internacional (Cipi) em Havana.
O risco de ação militar dos EUA contra Cuba não é novo, ressurgindo em momentos de percepção de fragilidade econômica por parte de Washington. Essa análise foi divulgada pela Agência Brasil, detalhando a postura cubana frente às tensões geopolíticas e ao embargo econômico.
Ameaças Históricas e a Base de Guantánamo
Cabañas Rodríguez lembrou que o risco de invasão é uma constante desde o triunfo da Revolução Cubana em 1959. Ele mencionou que a ilha se preparou historicamente para tal cenário, destacando a unidade popular como chave para enfrentar ameaças. A invasão da Praia Girón em 1961, apoiada pelos EUA e vencida pelas forças cubanas, é um marco dessa resistência.
O embaixador, que já atuou como representante de Havana em Washington, ressaltou que os EUA não precisariam se deslocar grandes distâncias para uma ação militar, devido à presença da **base naval ilegal em Guantánamo**. “Várias gerações de cubanos cresceram e viveram suas vidas sob essa ameaça”, afirmou, referindo-se à ocupação da base desde 1903.
Guerra de Informação e Tentativas de Intimidação
O diplomata cubano também apontou o uso da informação como uma tática de guerra moderna. Ele avalia que o excesso de notícias sobre uma possível invasão a Cuba pode ser uma tentativa de amedrontar a população. “Se trata de contaminar o país e a população que vão ser agredidos, para que as pessoas tenham medo, se desanimem”, explicou.
Cabañas Rodríguez criticou a imprensa corporativa estadunidense, cujas publicações, em sua visão, indicam uma direção de “intoxicar” a população cubana com informações alarmistas sobre uma invasão iminente, como parte de uma estratégia para desestabilizar o país.
Bloqueio Econômico e Negociações com os EUA
O recrudescimento do bloqueio econômico imposto pelos EUA, com sanções a países que vendem petróleo para Havana, tem agravado a crise energética na ilha. Por mais de três meses, Cuba ficou sem receber petróleo, resultando em apagões diários de até 12 horas na capital e mais longos no interior do país.
Uma pequena trégua ocorreu no final de março com a chegada de um petroleiro russo, mas a carga foi insuficiente para suprir a demanda mensal. Diante deste cenário, foram iniciadas negociações entre Havana e Washington para viabilizar a importação de petróleo cubano.
Cabañas destacou que Cuba sempre negociou com os EUA em pé de igualdade, sem admitir concessões que violem sua soberania. “Cuba nunca, nem mesmo nas piores circunstâncias, considerou que precisasse fazer concessões para alcançar uma relação respeitosa com os EUA”, enfatizou o diplomata.
Denúncia na ONU e Luta pela Opinião Pública
Na ONU, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou o bloqueio energético como uma punição coletiva com o objetivo de subjugar o povo cubano pela fome e escassez. Ele detalhou que mais de 96 mil cubanos, incluindo 11 mil crianças, aguardam cirurgias devido aos cortes de energia, afetando também pacientes de radioterapia e hemodiálise.
Em meio à crise, o governo cubano busca apoio internacional e o diálogo com setores críticos nos EUA. O presidente Díaz-Canel concedeu entrevista à NBC News, reafirmando a determinação cubana em resistir a qualquer ação militar. “Se isso acontecer [uma invasão], haverá combate, haverá luta. Nós nos defenderemos, e se tivermos que morrer, morreremos”, declarou.
O embaixador Cabañas Rodríguez mencionou a existência de um movimento de solidariedade a Cuba dentro dos EUA, que pode pressionar contra uma invasão. Ele ressaltou a contradição entre a política oficial agressiva e o forte apoio popular presente nos Estados Unidos, ativo na defesa da ilha caribenha.
O embargo dos EUA contra Cuba, que já dura 66 anos, visa derrubar o governo comunista e desafiar a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas. As medidas foram intensificadas neste ano, agravando a situação humanitária e econômica na ilha.


