Lula na Alemanha defende parceria para descarbonizar indústria europeia e protege empregos frente à IA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, na Alemanha, defendendo uma colaboração mais estreita entre o Brasil e a Europa.
O foco principal de seu discurso foi a necessidade de uma parceria voltada para a descarbonização da indústria, aproveitando a matriz energética limpa brasileira e, ao mesmo tempo, garantindo a proteção dos empregos diante dos avanços da inteligência artificial.
Lula também criticou conflitos geopolíticos e alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. As informações foram divulgadas pelo portal g1.
Brasil como aliado na transição energética da Europa
Durante seu discurso na renomada feira industrial, Lula enfatizou o potencial do Brasil em auxiliar a União Europeia a reduzir custos de energia e avançar na descarbonização de seus setores produtivos. Ele ressaltou que a inclusão das fontes de energia limpa brasileiras nas regras do bloco é fundamental para o sucesso dessa colaboração.
“É essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, afirmou o presidente, sendo aplaudido pelos presentes, incluindo o chanceler alemão Friedrich Merz.
Lula também se posicionou contra barreiras comerciais adicionais ao acesso de biocombustíveis, considerando-as contraproducentes tanto do ponto de vista ambiental quanto energético. Ele destacou que, em 2026, o Brasil lançará um programa robusto focado na economia verde e na indústria 4.0.
Inteligência artificial e a proteção dos trabalhadores
O presidente abordou os paradoxos do cenário geopolítico global, especialmente no que tange à inteligência artificial. Ele reconheceu o potencial da IA em aumentar a produtividade, mas também alertou para seu uso em fins militares sem parâmetros éticos ou legais.
Em relação ao mercado de trabalho, Lula mencionou que o Brasil registra o menor índice de desemprego de sua história e defendeu a redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, para garantir dois dias de descanso.
Ele fez um apelo a empresários e pesquisadores para que considerem os impactos da inteligência artificial sobre os trabalhadores. “Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, ponderou.
Críticas a conflitos e defesa do comércio justo
Lula não poupou críticas aos conflitos internacionais, chamando a guerra contra o Irã de “maluquice”. Ele assegurou que o Brasil tem tomado medidas internas para mitigar os impactos da guerra, especialmente diante da dependência de importação de óleo diesel.
O presidente condenou o paradoxo de um mundo marcado por desigualdades e um gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras. Ele pediu responsabilidade aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para buscar soluções para essa realidade.
As flutuações no preço do petróleo, decorrentes de conflitos como o do Oriente Médio, encarecem energia e transporte, além de afetarem a disponibilidade de fertilizantes, impactando a produção agrícola e a segurança alimentar. “São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos”, lamentou.
Acordo Mercosul-UE e compromisso com a Amazônia
Diante da “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula defendeu a necessidade de “refundar a organização” e enfatizou a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia, que criará um mercado com quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares.
Um dos momentos de maior aplauso foi quando o presidente relembrou o compromisso brasileiro de alcançar o desmatamento zero na Amazônia até 2030. Ele destacou os avanços recentes, com a redução de 50% do desmatamento na Amazônia e 32% no Cerrado nos últimos três anos.
O Brasil também se destaca na produção sustentável de biocombustíveis, com misturas de 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, sem comprometer o cultivo de alimentos ou o desmatamento. Além disso, 90% da energia elétrica brasileira é limpa, e o país tem potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.
Lula também mencionou a vasta reserva de minerais críticos do Brasil, como nióbio, grafita e níquel, essenciais para a descarbonização e a transformação digital. Ele busca parcerias internacionais com transferência de tecnologia, visando não ser apenas um “mero exportador” desses recursos.


