Petro questiona resultados preliminares e levanta suspeitas sobre contagem de votos na Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou publicamente sua discordância com os resultados preliminares das eleições presidenciais colombianas, divulgados por empresas privadas. Petro alega que houve alterações nos softwares de contagem, o que teria inflado artificialmente os votos de um candidato da oposição.
Em declarações em redes sociais, o presidente afirmou que os algoritmos de contagem foram modificados por três vezes na semana anterior à eleição. Segundo ele, foram adicionadas 800 mil fichas de inscrição eleitoral pertencentes a pessoas que não constavam no censo oficial do país.
A contagem preliminar, realizada por empresas como a Thomas Greg & Sons e a espanhola Indra, não possui validade legal na Colômbia, servindo apenas como um indicativo. O resultado oficial é apurado por comissões escrutinadoras e pode levar semanas para ser consolidado. Essa prática, embora prevista na legislação, já havia sido alvo de críticas por parte de Petro em eleições anteriores.
Oposição pede acompanhamento dos EUA em meio a acusações
Abelardo de La Espriella, candidato que liderou a pré-contagem, reagiu às declarações de Petro, classificando-as como uma tentativa de desestabilizar o país. Ele alertou para um risco à democracia colombiana e solicitou que os Estados Unidos e outras nações democráticas acompanhem de perto o segundo turno das eleições.
“Ele quer desestabilizar o país e abrir caminho para incendiar a Colômbia. Vamos permitir? Vamos defender a pátria com a razão ou com a força. Que os Estados Unidos da América e países democráticos vigiem esse segundo turno”, declarou De La Espriella em seu discurso após a divulgação dos números preliminares.
Candidato governista pede verificação de ‘discrepâncias’
Ivan Cepeda, candidato da coalizão governista Pacto Histórico, também manifestou preocupação com os dados preliminares. Ele afirmou que sua equipe está verificando uma discrepância de 885 mil fichas de inscrição eleitoral, que podem ter sido incluídas indevidamente. Cepeda aguardará a conclusão dessa apuração interna antes de comentar oficialmente os resultados.
“Estamos falando de 885 mil fichas de inscrição eleitoral. Há informações e indícios sobre um número indeterminado de seções eleitorais. Estamos verificando, com nosso mecanismo de segurança de observação eleitoral, exatamente quantas seções onde ocorreram, segundo relatos iniciais, padrões de votação atípicos”, explicou Cepeda.
Geopolítica da Colômbia em jogo no segundo turno
A eleição na Colômbia, o segundo país mais populoso da América do Sul, tem implicações geopolíticas significativas. A escolha entre a continuidade do projeto do Pacto Histórico, alinhado a pautas ambientais e sociais, e a ascensão de um candidato com potencial de estreitar laços com os Estados Unidos, como Abelardo de La Espriella, pode redefinir o posicionamento regional do país.
A Colômbia é considerada um país estratégico na América do Sul devido ao seu acesso aos oceanos Pacífico e Caribe. Historicamente, tem sido um forte aliado dos Estados Unidos na região. A eleição de Petro em 2022 marcou uma mudança de rumo, com uma maior aproximação a pautas defendidas por líderes como Luiz Inácio Lula da Silva.
Entenda a contagem preliminar e o cenário eleitoral
Na Colômbia, o voto não é obrigatório, e a participação no domingo foi de 57,8% dos mais de 41 milhões de eleitores. A contagem preliminar, divulgada por empresas privadas, não tem força legal e serve apenas como um indicativo. O resultado oficial é apurado pelas comissões escrutinadoras e validado por juízes.
Segundo a pré-contagem, Abelardo de La Espriella obteve 43,7% dos votos, enquanto Ivan Cepeda alcançou 40,9%. As pesquisas de intenção de voto, no entanto, indicavam Cepeda à frente. O segundo turno está marcado para o dia 21 de junho, definindo o futuro político da Colômbia.


