Trump anuncia cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano; Hezbollah e Líbano concordam, Israel em surpresa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16) um acordo de cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, com início previsto para a noite do mesmo dia. A trégua, segundo o comunicado, é uma condição importante para a continuidade das negociações entre o Irã e os EUA, e foi recebida com diferentes reações por parte dos envolvidos.
O parlamentar do Hezbollah, Ibrahim al-Musawi, declarou à agência AFP que o grupo respeitará o acordo caso os ataques israelenses cessem. Por outro lado, o governo em Tel Aviv não se manifestou oficialmente de imediato, gerando incertezas sobre a adesão israelense. A notícia pegou de surpresa muitos ministros do gabinete israelense.
Conforme Trump divulgou em suas redes sociais, ele teve conversas com o presidente libanês Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Ambos teriam concordado com o cessar-fogo formal de 10 dias, que começaria às 17h, horário de Brasília. Trump expressou otimismo, afirmando que ambos os lados desejam a paz e que acredita que ela acontecerá em breve.
Acordo intermediado por EUA e reações diversas
Apesar do anúncio envolver o governo libanês, é crucial notar que este não possui controle total sobre o Hezbollah, que atua como uma força política-militar independente, alinhada ao Eixo da Resistência, oposição às políticas americanas e israelenses na região. O Hezbollah tem intensificado ataques contra Israel desde outubro de 2023, em solidariedade aos palestinos na Faixa de Gaza.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, agradeceu os esforços de Trump para alcançar o cessar-fogo e garantir a paz permanente, expressando o desejo de que esses esforços continuem. Nas redes sociais, o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, saudou o anúncio, descrevendo-o como uma reivindicação central do Líbano, pela qual o país tem se empenhado desde o início da guerra.
Representantes de Israel e do Líbano se reuniram em Washington nesta semana, em um encontro inédito desde 1983. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não se pronunciou diretamente sobre o suposto acordo. Segundo o jornal israelense The Times of Israel, Netanyahu teria concordado com o cessar-fogo a pedido de Trump, mas a oposição em Israel criticou o que chamou de trégua “imposta” ao país.
Histórico de conflitos e acordos falhos
A atual escalada do conflito entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023. Em novembro de 2024, um cessar-fogo anterior entre o Hezbollah e Tel Aviv foi anunciado, mas, segundo relatos, nunca foi totalmente respeitado por Israel. A situação se agravou com o início da agressão contra o Irã em 28 de fevereiro, levando o Hezbollah a intensificar seus ataques como resposta às violações e ao assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Um novo cessar-fogo foi anunciado em 8 de abril, mas Israel continuou com os ataques no Líbano, desrespeitando o acordo costurado pelo Paquistão. O Irã, por sua vez, vinha exigindo a inclusão do Líbano no cessar-fogo para prosseguir com as negociações com os Estados Unidos, cuja segunda rodada de conversas estava prevista para os dias seguintes. O conflito entre Israel e o Hezbollah tem raízes profundas, remontando à década de 1980, com intervenções israelenses no Líbano em 2006, 2009 e 2011.
Reações e incertezas sobre a trégua
A notícia do cessar-fogo pegou de surpresa muitos ministros do gabinete israelense, conforme relatado pelo jornal The Times of Israel. Netanyahu teria confirmado que aceitou a trégua a pedido de Trump, mas a oposição israelense criticou a medida, considerando-a “imposta” ao país. Informações do portal Ynet indicam que um oficial militar israelense afirmou que as tropas permaneceriam no território libanês, apesar do anúncio da trégua, levantando dúvidas sobre a efetividade do acordo.
O Líbano, por meio de seu presidente Joseph Aoun, agradeceu os esforços de Trump para alcançar um cessar-fogo e garantir a paz, pedindo a continuidade dessas iniciativas. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, também saudou o anúncio, destacando que a trégua era uma reivindicação central do Líbano desde o início da guerra. A reunião entre representantes de Israel e do Líbano em Washington, a primeira desde 1983, precedeu o anúncio, sinalizando um movimento diplomático em curso.


