Fórum de Dacar: Soberania, Integração e Juventude são Pilares Contra o Terrorismo na África
Líderes e especialistas reunidos no 10º Fórum Internacional de Dacar defenderam que a soberania e a integração entre os países africanos são essenciais para alcançar a paz, a estabilidade e a segurança no continente. A urgência em superar desafios como o terrorismo e a instabilidade política foi enfatizada, com propostas que incluem investimentos massivos na população jovem e um controle mais rigoroso das fronteiras.
O evento, realizado em Dacar, Senegal, abordou o tema “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”. A discussão reuniu chefes de Estado, representantes de organizações internacionais e acadêmicos para debater caminhos que tirem o continente de um ciclo vicioso de instabilidade.
Conforme informações divulgadas pelo Fórum, o presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, destacou que a África sofre os impactos de crises globais, como fraturas comerciais e mudanças climáticas, além de enfrentar ameaças internas como conflitos armados e o terrorismo. A necessidade de uma agenda de segurança definida pelos próprios africanos e a exploração de recursos naturais em benefício próprio foram pontos centrais de seu discurso.
Sahel: O Epicentro do Terrorismo Global e a Necessidade de Ação Conjunta
A região do Sahel foi identificada como o epicentro do terrorismo mundial. O Índice de Terrorismo Global de 2026 aponta que o Sahel é responsável por mais da metade das mortes globais por terrorismo em 2025. Mali, Burkina Faso e Níger, em particular, têm sido duramente atingidos, com milhares de atentados e mortes nas últimas duas décadas, muitas vezes associados à instabilidade política e à atuação de grupos insurgentes em áreas de fronteira.
O presidente senegalês ressaltou que a soberania, embora crucial para crises internas, não é suficiente. Ele defendeu uma resposta multidimensional, com controle efetivo das fronteiras e cooperação entre os países. “Não pode haver um perigo de segurança no Mali que não diga respeito ao Senegal, ou vice-versa. É por isso que uma resposta puramente endógena de um país contra o terrorismo não seria eficaz”, exemplificou.
Investimento em Jovens e Integração Regional como Estratégias de Segurança
O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, conectou a falha na representação estatal com o recrutamento de jovens por grupos violentos. Ele enfatizou que investimentos na juventude não são apenas políticas sociais, mas sim estratégias de segurança nacional. “Extremismo e crime organizado encontram espaço nas falhas de governança e em um crescente e perigoso distanciamento entre cidadãos e o Estado. Grupos extremistas recrutam onde há desespero”, discursou.
Bio reforçou a importância da integração africana, afirmando que “integração não existe sem soberania. Soberania não se sustenta sem estabilidade. Se puxarmos apenas um desses elementos, todo o sistema se desfaz”. Ele defendeu soluções africanas, baseadas na realidade do continente, e parcerias que respeitem a autonomia local.
Mauritânia Defende Integração como Necessidade e Fortalecimento da Cedeao
O presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, listou tensões identitárias, déficits de governança e vulnerabilidades econômicas como fatores que desafiam a coesão social. Ele argumentou que, em um mundo globalizado, nenhum Estado pode enfrentar os desafios sozinho, tornando a integração “mais que uma opção, é uma necessidade” para a África.
Ghazouani defendeu o fortalecimento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) como um “importante motor de transformação econômica”. A declaração foi um recado aos países que deixaram a comunidade, como Mali, Níger e Burkina Faso, buscando convencê-los da importância da união para enfrentar desafios comuns e defender os interesses africanos no cenário internacional.
Soberania Tecnológica e o Futuro Econômico Africano
O Fórum de Dacar também abordou temas como soberania tecnológica e digital, além da gestão de recursos naturais e a indústria de defesa. A busca por autonomia em áreas estratégicas é vista como fundamental para o desenvolvimento e a segurança sustentável do continente. A participação de 38 países, incluindo o Brasil, demonstra o interesse global nas discussões sobre o futuro da África.
A mensagem central do evento ecoou a necessidade de uma África unida, soberana e integrada para superar seus desafios mais prementes, especialmente o terrorismo. A combinação de políticas voltadas para a juventude, um controle de fronteiras eficaz e a cooperação regional são apontados como caminhos essenciais para construir um futuro de paz e prosperidade.


