EUA expulsam funcionário brasileiro suspeito de manipular imigração para perseguir Ramagem
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (20) que solicitou a saída de um funcionário brasileiro de seu território. A medida, divulgada em rede social, aponta para um delegado da Polícia Federal envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Segundo o órgão norte-americano, o servidor teria tentado utilizar meios informais para contornar os canais oficiais de cooperação jurídica entre os países. A ação visa impedir que perseguições políticas de outros países se estendam ao solo americano através da manipulação do sistema de imigração.
A nota oficial emitida pelo escritório americano foi clara ao afirmar que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos para burlar pedidos formais de extradição. O pedido de saída do funcionário brasileiro ocorre exatamente por essa tentativa, conforme relatado.
Ramagem: foragido da justiça brasileira nos EUA
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão em ação penal relacionada a uma trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato e fugiu do Brasil para evitar o cumprimento da pena, passando a residir nos Estados Unidos.
Em dezembro do ano passado, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A cooperação policial internacional entre Brasil e EUA foi fundamental para a prisão de Ramagem na Flórida.
Cooperação policial e pedido de extradição
A detenção de Ramagem na cidade de Orlando, em abril, foi informada pela Polícia Federal como resultado direto da cooperação policial internacional. O ex-deputado é considerado foragido da Justiça brasileira, enfrentando acusações como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.
Até o momento, nem a Polícia Federal nem o Itamaraty divulgaram um posicionamento oficial detalhado sobre o pedido feito pelo governo norte-americano em relação ao funcionário brasileiro. A situação ressalta a complexidade das relações diplomáticas e jurídicas em casos de extradição e cooperação internacional.


