Novas sanções americanas atingem empresas cubanas de mineração e turismo, além do presidente Miguel Díaz-Canel e familiares.
Os Estados Unidos anunciaram novas sanções econômicas contra Cuba, direcionando suas ações a empresas dos setores de mineração e turismo, além de atingir diretamente o presidente da ilha, Miguel Díaz-Canel, e seus familiares. Estas medidas se somam a centenas de outras já impostas, em uma tentativa de estrangular a economia cubana e forçar uma mudança de governo.
A lista de entidades sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA inclui a Amistur Cuba, empresa voltada ao turismo, e a Minera la Victoria, uma joint venture entre a estatal cubana Geominera e a australiana Antilles Gold. As novas restrições visam dificultar as operações dessas companhias no mercado internacional.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os Estados Unidos “vão cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã”, sugerindo um possível investimento futuro na ilha. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, alertou que bancos e empresas estrangeiras que prestarem serviços às entidades sancionadas correm o risco de também serem penalizados. “A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, afirmou Rubio.
Sanções se estendem a autoridades e instituições cubanas
Além das empresas, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, e seu filho, Manuel Anido Custa, foram incluídos na lista de sancionados. Outras autoridades ligadas ao governo, incluindo um filho e um neto do ex-presidente Raúl Castro, também foram alvo das medidas. Instituições como o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR) também foram sancionados.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA informou que todas as transações e negociações envolvendo bens de pessoas designadas ou bloqueadas, realizadas por cidadãos americanos ou dentro do território dos EUA, estão proibidas. A intenção é isolar ainda mais o regime cubano economicamente.
Cuba reage às novas sanções americanas
Em resposta às novas sanções, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel classificou as falas de Trump como uma ameaça e criticou as medidas unilaterais que, segundo ele, “prejudicam o povo”. Ele declarou que a “agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destacou que a inclusão de pessoas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções demonstra um plano de intervenção na ilha. Ele afirmou que qualquer ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito “está fadada ao fracasso” e que a “independência e soberania de Cuba” serão enfrentadas com “ainda mais união e determinação”.
Histórico de bloqueio e impacto na população
O bloqueio econômico contra Cuba, que já dura quase 70 anos, tem sido intensificado pela atual administração da Casa Branca. No final de 2025, restrições navais impostas à Venezuela também impactaram a ilha. Em janeiro de 2026, a ameaça de sanções a quem vendesse petróleo a Cuba levou o país a ficar três meses sem receber o combustível.
As medidas americanas têm resultado em um aumento das apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Moradores de Havana consultados pela Agência Brasil descrevem este como o “pior momento do país”, evidenciando o impacto direto das sanções na vida da população cubana.


