Eleições no Peru: Disputa apertada para segundo turno mantém o país em suspense com dois perfis opostos na disputa
A contagem de votos para a eleição presidencial no Peru segue intensa, com a definição do segundo turno ainda incerta. Após cinco dias de apuração, a candidata direitista Keiko Fujimori já garantiu sua vaga na segunda fase, marcada para 7 de junho. No entanto, a disputa acirrada entre o esquerdista Roberto Sanchéz Palomino e o ultraconservador Rafael Aliaga para ocupar a outra posição no pleito define um futuro incerto para o país.
Ainda com 93,3% das urnas apuradas até a última sexta-feira, a diferença entre Sanchéz e Aliaga é mínima, inferior a 3 mil votos. Essa configuração eleitoral reflete a polarização política e as diferentes visões sobre o futuro do Peru, um país que tem enfrentado grande turbulência nos últimos anos, com nove presidentes em uma década.
Acompanhe os desdobramentos dessa eleição que pode impactar as relações comerciais e políticas na América do Sul, especialmente no que diz respeito à influência da China e dos Estados Unidos na região. Acompanhe as atualizações e entenda os perfis dos candidatos que disputam a confiança dos eleitores peruanos, conforme informações divulgadas recentemente.
Keiko Fujimori busca superar histórico de derrotas
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, figura como a candidata mais votada até o momento, com 17% dos votos. Esta é a quarta vez que ela disputa a presidência, tendo sido derrotada no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. Sua trajetória política é marcada pela herança de seu pai, condenado por violações de direitos humanos, o que gera resistência em parte do eleitorado.
Apesar de sua força eleitoral, Keiko enfrenta um teto de votos que, segundo especialistas, está ligado à rejeição à memória de seu pai e às políticas neoliberais associadas à sua gestão. A candidata tem acenado para um realinhamento com os Estados Unidos, propondo endurecer a política migratória e conter a influência chinesa no país, especialmente através do Porto de Chancay.
Esquerda e ultradireita disputam a segunda vaga
Na outra ponta da disputa, o esquerdista Roberto Sanchéz Palomino, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, busca consolidar sua posição. Sanchéz, com um perfil nacionalista-popular, defende propostas como a nacionalização de recursos naturais, uma nova constituinte e mais direitos trabalhistas. Ele representa um setor político que reivindica símbolos culturais e busca dar voz às populações rurais e do interior do Peru.
Por outro lado, o ultraconservador Rafael Aliaga, comparado a Donald Trump e Javier Milei, apresenta um discurso de defesa radical do livre mercado e conservadorismo social. Aliaga, que foi prefeito de Lima, viu sua posição cair na apuração após a contagem de votos das zonas rurais, o que o levou a denunciar, sem provas, supostas fraudes eleitorais, um movimento criticado pelo partido de Sanchéz.
Cenário de instabilidade e desafios para a governabilidade
O Peru vive um período de intensa instabilidade política, com um histórico de renúncias e destituições presidenciais. A pulverização de partidos no Congresso e o sistema eleitoral fragmentado apresentam desafios significativos para a governabilidade, independentemente de quem vença a eleição. O novo presidente precisará de amplas negociações e concessões para formar uma base de apoio.
A crise política recente culminou na deposição e prisão de Pedro Castillo, acusado de tentativa de golpe de Estado. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu a presidência e enfrentou fortes protestos, reprimidos com violência. A sucessão de governos interinos e a atuação do Congresso como poder de fato reforçam o cenário de incerteza no país andino.
Impacto regional e comercial em jogo
A eleição peruana tem repercussões que transcendem suas fronteiras, especialmente no contexto da disputa comercial entre China e Estados Unidos na América Latina. A postura dos candidatos em relação a esses blocos de poder, assim como suas políticas econômicas e de infraestrutura, como o Porto de Chancay, podem moldar as futuras relações regionais e comerciais.
Especialistas apontam que um eventual segundo turno entre Keiko Fujimori e Rafael Aliaga fortalecerá a extrema-direita e um realinhamento em direção aos Estados Unidos. Já a ascensão de Sanchéz pode indicar uma aproximação com agendas mais nacionalistas e populares, com potenciais implicações para a influência chinesa e as dinâmicas de poder na região.


