Filha de Che Guevara expressa temor de invasão dos EUA a Cuba e critica política de Trump
A médica Aleida Guevara, filha do líder revolucionário Ernesto “Che” Guevara, manifestou em visita ao Brasil a preocupação de que Cuba possa ser alvo de uma invasão dos Estados Unidos. Ela atribui esse receio ao comportamento imprevisível do presidente americano, Donald Trump.
“Sabemos que podem nos atacar a qualquer momento porque sãos loucos”, declarou Aleida Guevara à Agência Brasil, ressaltando a sensação de instabilidade na ilha caribenha diante da política externa dos EUA.
A médica cubana, que participou do 4º encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) no Brasil, também comentou sobre o endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que tem impactado o fornecimento de petróleo e outros bens essenciais para Cuba. A entrevista completa, com mais detalhes sobre a situação da ilha, a democracia cubana e a herança de seu pai, foi divulgada pela Agência Brasil.
Visita ao Brasil e a questão agrária
Em sua passagem pelo Brasil, Aleida Guevara destacou a importância da questão agrária no país e o apoio do movimento campesino cubano. Ela ressaltou que o campesinato brasileiro identifica Cuba como um “farol de liberdade e dignidade humanas”, o que, segundo ela, é extremamente importante para uma cubana.
“Vim ao 4º encontro do MPA e foi incrivelmente interessante porque ainda há muito a ser resolvido no Brasil, problemas de todos os tipos, mas o principal é a questão da terra. A reforma agrária continua sendo o calcanhar de Aquiles do país”, afirmou Aleida.
Ameaça de ataque e a imprevisibilidade de Trump
Aleida Guevara reiterou a urgência de seu retorno a Cuba, devido à constante ameaça de ataque por parte dos Estados Unidos. Ela descreveu a política externa americana sob a gestão de Donald Trump como “completamente fora de si, totalmente louca”.
“Você simplesmente não sabe o que pode acontecer. Com esse homem, você não consegue nem avaliar o que ele diz”, disse a filha de Che Guevara, acrescentando que o povo cubano está ciente do risco, mas espera que a “loucura não chegue ao extremo”. Ela citou uma frase de Fidel Castro: “Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme”.
Bloqueio econômico e a unidade cubana
Sobre o bloqueio econômico que perdura por mais de seis décadas, Aleida Guevara avalia que, apesar das dificuldades impostas, a maioria do povo cubano permanece unida e consciente de seu inimigo. Ela acredita que os Estados Unidos, com suas ações, acabam promovendo a unidade em Cuba.
“Ainda que tenham dinheiro para comprar, não conseguem [medicamentos e gasolina]. Os Estados Unidos sempre foram promotores da unidade em Cuba devido à sua idiotice como inimigos, à sua falta de inteligência”, explicou.
Ela também mencionou que a falta de acesso a bens essenciais, como gasolina e medicamentos, tem prejudicado até mesmo familiares de contrarrevolucionários em Miami, que agora compreendem o impacto do bloqueio. A médica destacou o nível cultural do povo cubano, citando José Martí: “Somente um povo culto pode ser verdadeiramente livre, porque não pode ser facilmente manipulado”.
Democracia em Cuba e a herança de Che Guevara
Em resposta às críticas sobre a falta de democracia em Cuba, Aleida Guevara defende que a ilha possui uma “democracia verdadeira, a mais popular e a mais aberta que existe, porque o povo governa”. Ela questiona onde, em outros países, o “poder do povo” se concretiza de fato.
A médica também compartilhou memórias sobre seu pai, Che Guevara, destacando a influência de sua mãe, Aleida March, em sua formação. “Se hoje sou uma mulher socialmente útil, é graças à educação que recebi dela”, afirmou, ressaltando que sua família nunca teve privilégios, seguindo os preceitos deixados por Che.
“Nós comíamos o que todos em Cuba comiam. Não tínhamos privilégios. Mas fomos privilegiados por ter o carinho e a admiração do povo cubano, por receber esse calor humano”, concluiu Aleida Guevara.


