São Caetano avança na modernização do transporte com cadastro para Tarifa Zero e foco no cidadão, mas talvez seja foco demais e transparência de menos…
A Prefeitura de São Caetano do Sul deu um passo importante rumo à eficiência ao iniciar o cadastro para o programa de Tarifa Zero exclusivo para moradores. A medida, anunciada pelo prefeito Tite Campanella, representa uma evolução no modelo de mobilidade urbana, priorizando os cidadãos, que utilizam diariamente o sistema público.
O novo sistema promete inovação tecnológica como um de seus pilares. Com a implementação de reconhecimento facial nas catracas, o município argumenta garantir mais segurança, controle e transparência no acesso ao benefício. Assim evitando distorções e assegurando que o recurso público seja direcionado corretamente.
Outro ponto positivo seria a facilidade no processo de cadastramento. Os moradores poderão realizar o registro de forma digital, diretamente pelo celular, com suporte presencial disponível para quem precisar. A iniciativa demonstra preocupação com a inclusão e acessibilidade, garantindo que todos tenham condições de participar do programa.
A prioridade inicial dada a famílias em situação de vulnerabilidade reforça o caráter social da política pública, mostrando sensibilidade da gestão municipal ao atender primeiro quem mais precisa. Ao mesmo tempo, a organização em etapas contribui para um processo mais eficiente e sem sobrecarga no sistema.
A questão do controle
Todavia, há controvérsias quanto aos sistemas de reconhecimento facial utilizados de forma generalizada por governos, mesmo que municipais. Em geral, são implantados de forma ampla apenas em países nos quais as liberdades dos cidadãos são frquentemente atacadas, como na China. Portanto, onde há controle social como política pública.
Como ter a certeza de que um sistemq que mantenha a capacidade de identificar todos os cidadãos faciamente, mantendo registros atualizados constantes, num banco de dados de quem está no poder, não será utilizado para repressão à população e perseguição? Quanto tempo até alguém propor uma integração com as secretarias de segurança, a fim de identificar e capturar criminosos, tornandoo sistema numa versão de vigilância do Big Brother de George Orwell?
Questões de Eficiência e Economia
A prefeitura alega que o programa está alinhado a um plano mais amplo de melhoria do transporte. Sendo assim, prevê a retomada de itinerários e, no futuro, a modernização da frota com ônibus mais confortáveis e sustentáveis. Como veículos elétricos e com ar-condicionado. Também alega responsabilidade fiscal.
Porém, admite a obsolescência do modelo, mas ntão tem a coragem de falar claramente à população que manter o transporte público ‘gratuito’ é uma impossibilidade lógica e prática. Lógica, porque os pagadores de impostos estão financiando, o que desconfigura a ideia de ‘gratuidade’. Sem contar que sem sistemas de preços, o cálculo econômico é prejudicado e a alocação de recursos gera exatamente esses problemas de ‘obsolescência’, dificuldade em manter a manutenção das frotas, e sequer haver ar condicionado.
Assim sendo, por responsabilidade fiscal podemos entender que o sistema está financeiramente inviável e indicando quebra a longo prazo. Ou seja, caindo por sua necessária insustentabilidade. No entanto, como dizer isso aos cidadãos, que ao não pagarem diretamente cada viagem, não conseguem mensurar corretamente o custo do sistema pesando em seus bolsos, e entendem em seu imaginário o sistema como “de primeiro mundo”, “gratuito” e “um direito”?
Urge ter coragem, comunicação clara e transparência. Três requisitos que dificilmente reunem-se num político por estas bandas.
*Imagem ilustrativa


