México Adota Modelo de Saúde Universal Inspirado no SUS a Partir de 2027
O México se prepara para uma transformação significativa em seu sistema de saúde. A partir de janeiro de 2027, o país implementará um modelo de saúde universal, fortemente inspirado no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. A iniciativa visa garantir acesso equitativo aos serviços de saúde para toda a população mexicana, unificando bases de dados e integrando diferentes redes de atendimento.
A primeira fase do projeto, focada no cadastramento de idosos com mais de 85 anos e seus cuidadores, tem início nesta segunda-feira, 13 de maio, e se estenderá até 30 de abril. Este passo inicial é crucial para a construção de um sistema mais eficiente e centrado no paciente.
A proposta, anunciada pela presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, promete revolucionar a forma como os mexicanos acessam cuidados médicos, com um forte componente tecnológico e investimentos em infraestrutura. Conforme informação divulgada, o objetivo é “garantir o acesso à saúde” para todos.
Unificação de Dados e Tecnologia para um Atendimento Eficiente
Um dos pilares do novo Serviço Universal de Saúde mexicano é a unificação de bases de dados. O objetivo é que profissionais de saúde tenham acesso a prontuários completos e atualizados dos pacientes, independentemente da rede de atendimento anterior. Isso evitará tratamentos sem informação e otimizará o diagnóstico e o acompanhamento.
A integração também prevê um aplicativo digital que centralizará informações importantes, como resultados de exames laboratoriais. Essa ferramenta tecnológica facilitará o acesso dos cidadãos às suas informações de saúde e agilizará a comunicação entre os diversos níveis de atenção.
Foco em Áreas Críticas e Investimentos Estratégicos
O novo sistema de saúde receberá investimentos robustos para garantir o fornecimento contínuo de medicamentos e o pleno funcionamento de unidades de atendimento e salas de cirurgia. O governo priorizará áreas de alta complexidade e demanda, incluindo atendimento emergencial, gravidez de alto risco, tratamento de infartos, doenças neurológicas, câncer de mama, consultas preventivas, quadros graves de saúde, nutrição, saúde mental e tratamentos contínuos.
Em 2028, o foco será o intercâmbio de serviços, como o abastecimento de remédios, consultas com especialistas e atenção primária para pacientes com doenças crônico-degenerativas, como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide. Essa expansão visa cobrir um espectro ainda maior de necessidades da população.
Primeira Fase de Cadastramento e Identificação
O primeiro grupo a ser cadastrado, composto por idosos acima de 85 anos e seus acompanhantes, receberá um documento de identificação atrelado ao novo sistema seis semanas após o registro. Este documento substituirá os expedidos por instituições como o Instituto Mexicano de Seguridade Social (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e a Petróleos Mexicanos (Pemex).
O credenciamento inicial ocorrerá em 24 dos 31 estados mexicanos, cobrindo 47 municípios, incluindo a Cidade do México. A expectativa é alcançar 2 milhões de pessoas em 2.059 módulos de atendimento. O governo dispõe de 2 mil centros médicos considerados suficientes para atender às demandas iniciais e futuras.
Contexto Populacional e de Saúde no México
A Organização Panamericana de Saúde (Opas) destaca que a população do México cresceu 31% entre 2000 e 2023, totalizando 128 milhões de habitantes. A expectativa de vida é de 75 anos, e o acesso à internet atinge 72% da população, um fator relevante para a digitalização do sistema de saúde.
Em 2020, a proporção de dentistas era de 0,11 para cada 10 mil pessoas, e em 2021, a de médicos era de 26,09 para cada 10 mil habitantes. Esses dados evidenciam a necessidade de um sistema de saúde mais robusto e acessível, como o modelo que está sendo implementado.


