Alcolumbre e Fachin se Reúnem para Discutir Limites aos “Penduricalhos” Salariais de Juízes e Procuradores
O debate sobre os chamados “penduricalhos”, benefícios extras que elevam os salários de juízes, promotores e procuradores acima do teto constitucional, ganhou força com um encontro entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. A reunião, realizada nesta segunda-feira (25), teve como objetivo discutir o futuro anteprojeto de lei que visa reformular a remuneração dessas carreiras.
Os “penduricalhos” incluem gratificações, adicionais, abonos e outras parcelas que, somadas ao salário base, podem ultrapassar o limite estabelecido pela Constituição Federal. Essa prática tem sido alvo de críticas por comprometer a transparência, tensionar a observância do teto e estimular a litigiosidade funcional.
Conforme informado em nota conjunta pelos chefes dos poderes Legislativo e Judiciário, o encontro destacou a necessidade de aprimorar o sistema remuneratório no serviço público. A discussão abordou a jurisprudência consolidada do STF, que considera inconstitucionais vantagens que extrapolam o teto ou que são criadas sem vínculo com atividade laboral específica. A busca é por uma solução legislativa de caráter geral que preserve a valorização das carreiras públicas, segundo Alcolumbre e Fachin.
Aumento Expressivo nos Gastos com Salários Acima do Teto
Os gastos do Judiciário com salários que ultrapassam o limite constitucional apresentaram um aumento alarmante. Segundo estudo do Movimento Pessoas à Frente, os valores extras-teto saltaram de R$ 7 bilhões para R$ 10,5 bilhões entre 2023 e 2024, representando um crescimento de 49,3% em apenas um ano. Esse cenário evidencia a urgência de medidas para conter a elevação desses pagamentos.
Decisão do STF e Recurso da Ajufe
Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão significativa ao limitar os “penduricalhos” de juízes, promotores e procuradores a, no máximo, 35% do valor do teto constitucional. Com essa medida, o salário máximo permitido pode chegar a R$ 62,5 mil. Contudo, a Associação dos Juízes Federais (Ajufe) apresentou um recurso contra essa decisão, buscando a flexibilização de benefícios que foram cortados, como auxílio-alimentação e auxílio de proteção à primeira infância e à maternidade.
Diálogos Institucionais para Solução
Alcolumbre e Fachin ressaltaram que os “diálogos institucionais” devem continuar, com o envolvimento do Poder Executivo e outros atores interessados. O objetivo é construir propostas e receber sugestões sobre o tema, visando a uma solução que harmonize a remuneração justa com o cumprimento das normas constitucionais e a transparência nos gastos públicos. A questão é vista como estrutural e demanda uma resposta legislativa abrangente.
Entendendo o Teto Constitucional e os “Penduricalhos”
O artigo 37 da Constituição Federal estabelece que o teto salarial na administração pública direta é de R$ 46,3 mil, valor equivalente aos salários dos ministros do STF. No entanto, a proliferação de benefícios de caráter indenizatório tem permitido que os vencimentos de magistrados e procuradores ultrapassem esse limite. A busca por um equilíbrio entre a remuneração adequada e a observância do teto é o cerne das discussões atuais.


