Lula critica Conselho de Segurança da ONU e questiona prioridades globais em meio à guerra no Irã
Em um discurso contundente no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu fortes críticas aos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula expressou profunda preocupação com a escalada de conflitos, como a guerra no Irã, e questionou o papel dessas potências na manutenção da paz mundial.
O presidente enfatizou que a missão do Conselho de Segurança é zelar pela tranquilidade global, mas apontou que, na prática, os membros permanentes — Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França — parecem estar ativamente engajados em conflitos. Essa postura, segundo Lula, se manifesta no aumento da produção e venda de armamentos, o que gera um ciclo vicioso de violência e instabilidade.
As declarações de Lula surgiram em um contexto de anúncios políticos importantes, como sua pré-candidatura à reeleição em 2026 e a indicação de Fernando Haddad para o governo de São Paulo. O presidente também sinalizou o desejo de contar novamente com Geraldo Alckmin como vice. Contudo, o foco principal de sua fala permaneceu na crítica à política internacional e aos gastos militares. Conforme informação divulgada pelo próprio presidente, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU estão, na visão dele, falhando em seu propósito primordial.
Gastos Bilionários com Armas Contrastam com Necessidades Sociais
Lula destacou o paradoxo de trilhões de dólares serem investidos em armamentos enquanto necessidades básicas como alimentação, educação e o acolhimento de refugiados são negligenciadas. Ele apresentou dados alarmantes, afirmando que no ano passado foram gastos **2 trilhões e 700 bilhões de dólares em armas**. O presidente questionou quanto desse montante poderia ter sido destinado a combater a fome, investir em educação ou ajudar as vítimas de guerras consideradas “insanas”.
Críticas à Gestão do Banco Master e Acusações ao Governo Anterior
Durante o mesmo discurso, Lula abordou o caso do Banco Master, atribuindo as “falcatruas” ocorridas após a aprovação da instituição financeira pelo Banco Central durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele classificou o caso como “ovo da serpente”, citando diretamente Bolsonaro e Roberto Campos, ex-presidente do Banco Central, como responsáveis.
O presidente afirmou que o governo não permitirá que o caso seja usado para incriminar o PT ou sua administração. Lula mencionou que, no início de 2019, Ilan Goldfajn, então presidente do Banco Central, havia negado o reconhecimento do Banco Master. No entanto, foi sob a presidência de Roberto Campos, em setembro de 2019, que a instituição obteve o reconhecimento, período em que, segundo Lula, “todas as falcatruas foram feitas”.
Lula Promete Investigação Rigorosa sobre o Banco Master
O presidente prometeu rigor na apuração dos fatos relacionados ao Banco Master, estimando um prejuízo de R$ 50 bilhões. Ele reiterou que o governo não medirá esforços para investigar o caso e garantir que os responsáveis sejam identificados. Lula ressaltou a importância de se esclarecer a verdade para evitar que acusações indevidas recaiam sobre seu governo ou o partido.
A Visão de Lula sobre a Paz e a Segurança Global
A fala de Lula sobre o Conselho de Segurança da ONU reflete uma visão crítica sobre a atual arquitetura de segurança internacional. Ele sugere que os países com maior poder de veto e responsabilidade pela paz estão, paradoxalmente, impulsionando conflitos através da indústria bélica. A cobrança do presidente brasileiro aponta para a necessidade de uma reavaliação das prioridades globais, com um foco maior em soluções pacíficas e no desenvolvimento social, em vez de um ciclo contínuo de produção e venda de armas.


