Anistia Internacional alerta para riscos globais e aponta falhas em sistemas multilaterais
A Anistia Internacional divulgou seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, apresentando um panorama contundente sobre o enfraquecimento do multilateralismo e do direito internacional. A organização de direitos humanos acusa diretamente os Estados Unidos, Israel e a Rússia de promoverem ataques predatórios que comprometem a estabilidade global e a proteção dos direitos fundamentais.
O documento, que avalia 144 países, destaca que o sistema multilateral está sob ameaça não por sua ineficácia intrínseca, mas por não servir aos interesses de hegemonia e controle de determinados atores. A secretária-geral da Anistia, Agnès Callamard, ressalta a necessidade de enfrentar as falhas do sistema e garantir sua aplicação equitativa para defender todas as pessoas com a mesma determinação.
Essas denúncias vêm à tona em um momento de crescentes tensões geopolíticas e conflitos regionais, onde a atuação de potências globais tem sido questionada. O relatório da Anistia Internacional busca lançar luz sobre essas dinâmicas e promover um debate mais amplo sobre a responsabilidade dos Estados na manutenção da ordem internacional e no respeito aos direitos humanos. Conforme informação divulgada pela Anistia Internacional, os predadores políticos e econômicos, e aqueles que lhes facilitam a vida, estão sentenciando o fim do sistema multilateral.
Israel e Estados Unidos sob Fogo de Críticas da Anistia Internacional
O relatório da Anistia Internacional detalha as ações de Israel em Gaza, descrevendo a continuidade do que a organização classifica como um genocídio contra a população palestina. Apesar de um cessar-fogo acordado em outubro de 2025, o país é acusado de manter um sistema de apartheid e acelerar a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada, visando à anexação. A organização aponta que as autoridades israelenses têm incentivado ataques de colonos contra palestinos, com impunidade, e que autoridades celebram a violência contra a população palestina, incluindo detenções arbitrárias e tortura.
Os Estados Unidos também são alvos de severas críticas. Segundo a Anistia, o país realizou mais de 150 execuções extrajudiciais, com bombardeios no Caribe e no Pacífico, além de um ato de agressão contra a Venezuela em janeiro de 2026, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro. O uso ilegítimo da força por EUA e Israel contra o Irã, em violação à Carta da ONU, é apontado como catalisador de ataques de retaliação iranianos e intensificação dos conflitos na região.
A Anistia destaca que a guerra na região ameaça causar danos ambientais e à população civil de grande magnitude e longo prazo, afetando o acesso a energia, saúde, alimentação e água em uma área já instável e com repercussões globais. O relatório menciona especificamente um ataque ilegal dos Estados Unidos contra uma escola no Irã que resultou na morte de mais de 100 crianças, evidenciando a gravidade das consequências humanitárias.
Rússia e a Europa: Um Cenário de Ataques e Postura Conciliatória
No que tange à Rússia, o relatório aponta para a intensificação de ataques aéreos contra infraestruturas civis essenciais na Ucrânia. Em contrapartida, a União Europeia e a maioria dos países europeus são criticados por manterem uma postura conciliatória diante das ações dos Estados Unidos contra o direito internacional. A Anistia lamenta que a Europa não tenha agido com determinação para deter o genocídio em Israel ou para coibir transferências irresponsáveis de armas e tecnologia que fomentam crimes contra o direito internacional.
Brasil: Violência Policial e de Gênero Persistem como Pontos Críticos
No cenário brasileiro, o relatório da Anistia Internacional aponta a violência policial como um dos pontos mais críticos. O documento relembra a operação antidrogas no Rio de Janeiro em outubro de 2025, que resultou na morte de mais de 120 pessoas, a maioria negra e em situação de pobreza, com múltiplos relatos de execuções extrajudiciais. A Operação Contenção, nos Complexos da Penha e do Alemão, é classificada como a mais letal da história do estado.
A organização ressalta que este episódio se insere em um padrão histórico de policiamento letal que afeta desproporcionalmente comunidades negras e periféricas. A violência de gênero também se mantém em níveis alarmantes, com feminicídios e persistência da impunidade. Pessoas LGBTI continuam sendo alvo de violência racista e LGBTfóbica, sem proteção estatal adequada.
A Anistia Internacional faz um apelo ao Brasil para que adote medidas efetivas de responsabilização pela violência policial, avance na demarcação de territórios indígenas e quilombolas, enfrente a crise climática com ambição compatível com sua responsabilidade histórica e garanta os direitos humanos de toda a sua população, sem discriminação.


