Boulos rebate críticas à redução da jornada de trabalho e denuncia táticas de “terrorismo econômico”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou veementemente a resistência à proposta de fim da escala de trabalho 6 por 1, que garante dois dias de folga semanais aos trabalhadores. Segundo Boulos, essa oposição parte de setores poderosos da economia brasileira que buscam impedir avanços em direitos trabalhistas.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, Boulos afirmou que esses grupos recorrem a táticas de “terrorismo econômico” para adiar a votação da matéria no Legislativo. Ele enfatizou que o governo do presidente Lula não apoiará tentativas de estabelecer prazos para a implementação da nova jornada, defendendo uma mudança que traga mais qualidade de vida aos trabalhadores.
A fala do ministro ressalta o posicionamento do governo em defender a redução da jornada de trabalho, mesmo diante de um “grande sistema econômico”. Boulos destacou que essa luta por direitos é um movimento recorrente na história do Brasil, lembrando as resistências enfrentadas na criação do salário mínimo, das férias remuneradas e do 13º salário.
Resistência a direitos trabalhistas é histórica, afirma ministro
Guilherme Boulos comparou a atual oposição à redução da jornada de trabalho com momentos históricos de conquistas de direitos. Ele citou o período de Getúlio Vargas, quando a criação do salário mínimo também gerou forte resistência. “O que existe é um terrorismo econômico brutal nessa história, que, aliás, não é novo no Brasil”, declarou.
O ministro defendeu que o debate sobre o tema seja embasado em dados concretos, e não em especulações. Ele mencionou um estudo do Dieese, que aponta um impacto médio de apenas 1% no custo operacional das empresas com a redução da jornada para 40 horas semanais. Esse percentual, segundo Boulos, é semelhante ao impacto do aumento real do salário mínimo, que não levou à falência de empresas nem ao desemprego em governos anteriores.
Redução da jornada aumenta produtividade e beneficia mulheres
Boulos argumentou que a redução da jornada de trabalho pode, na verdade, aumentar a produtividade. Ele destacou o crescente número de casos de burnout, ansiedade, depressão e exaustão entre trabalhadores, evidenciando que um profissional cansado rende menos. No ano passado, 500 mil trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental relacionados ao excesso de trabalho.
Outro ponto enfatizado pelo ministro foi o impacto positivo da mudança para as mulheres. Boulos ressaltou que elas frequentemente acumulam dupla jornada, e a escala 6 por 1 agrava essa situação, pois o dia de folga muitas vezes se transforma em mais trabalho doméstico. “Quando a gente acaba com a seis por um, nós também estamos dando um respiro para as mulheres trabalhadoras deste país”, concluiu.


