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Política

Blackface: Deputada Fabiana Bolsonaro enfrenta pedidos de cassação por blackface e transfobia na Ale

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Última atualização: 03/19/2026 19:20
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Contents
  • O incidente na Alesp e as acusações de blackface e transfobia
  • Repercussões legais e éticas: pedidos de cassação e denúncias
  • A defesa da deputada e o conceito de blackface
  • Deputada Fabiana Bolsonaro (PL) é acusada de blackface e discurso transfóbico na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
  • Ações legais incluem pedidos de cassação, boletim de ocorrência e denúncia ao Ministério Público.
  • A polêmica surgiu após a deputada criticar a eleição de Erika Hilton, mulher trans, para presidir a Comissão da Mulher da Câmara.

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) encontra-se no centro de uma intensa controvérsia política e jurídica em São Paulo. Ela é alvo de pedidos de cassação e denúncias formais após ser acusada de praticar blackface e proferir discurso transfóbico durante uma sessão plenária na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O incidente, ocorrido no fim da tarde de uma quarta-feira, gerou forte repercussão e mobilizou diversos parlamentares e entidades em busca de responsabilização.

A polêmica teve início quando Fabiana Bolsonaro, em discurso na tribuna da Alesp, criticou abertamente a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans, para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante sua fala, a deputada do PL pintou o rosto e os braços de marrom, em um ato que foi amplamente interpretado como blackface e que, segundo os críticos, acompanhou um discurso de cunho transfóbico.

O incidente na Alesp e as acusações de blackface e transfobia

Durante sua participação na tribuna da Alesp, a deputada Fabiana Bolsonaro realizou um ato performático que rapidamente se tornou o epicentro de uma grande polêmica. Ela pintou seu rosto e braços de uma tonalidade marrom, enquanto proferia um discurso questionando a legitimidade de uma mulher trans presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. A deputada argumentou: “Estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra?”.

Essa performance foi imediatamente interpretada por muitos como a prática de blackface, uma forma de representação historicamente racista. A ação foi acompanhada por críticas diretas à deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A combinação do ato e do discurso gerou uma onda de indignação e acusações de racismo e transfobia contra Fabiana Bolsonaro.

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Repercussões legais e éticas: pedidos de cassação e denúncias

Em resposta ao incidente, um grupo de deputados estaduais de São Paulo agiu prontamente, protocolando um processo no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) com o objetivo de pedir a cassação de Fabiana Bolsonaro. A iniciativa visa investigar a conduta da parlamentar e aplicar as sanções cabíveis, caso sejam comprovadas as infrações éticas e legais.

Além do processo no Conselho de Ética, a deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora de São Paulo Luana Alves, ambas do PSOL, tomaram medidas adicionais. Elas registraram um boletim de ocorrência contra Fabiana na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, buscando a apuração criminal dos fatos. Mônica Seixas enfatizou nas redes sociais: “Racismo e transfobia são crimes! Já acionamos o Conselho de Ética e estamos na delegacia exigindo responsabilização imediata”. Adicionalmente, a deputada estadual Ediane Maria (PSOL) denunciou Fabiana Bolsonaro ao Ministério Público de São Paulo por racismo, ampliando o escopo das investigações. Para mais detalhes sobre as acusações, a Agência Brasil noticiou o caso.

A defesa da deputada e o conceito de blackface

Diante da avalanche de críticas e ações legais, Fabiana Bolsonaro utilizou suas redes sociais para se defender, alegando que sua atitude no plenário foi uma analogia. Ela declarou: “A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”. A deputada do PL também divulgou uma nota pública negando categoricamente ter praticado blackface. “Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”, afirmou.

O conceito de blackface refere-se à prática de pessoas não negras pintarem seus rostos para imitar pessoas negras, frequentemente de forma caricatural e pejorativa. Essa prática tem raízes históricas profundas em espetáculos de menestréis do século XIX, nos Estados Unidos, onde era utilizada para ridicularizar e perpetuar estereótipos racistas contra a população negra. A controvérsia em torno da ação da deputada ressalta a importância do debate sobre representatividade, identidade e as implicações históricas de certas performances, especialmente em espaços públicos e políticos.

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