Lula critica guerras e o impacto nos mais pobres, defendendo o papel da ONU e a regulação de plataformas digitais.
Em um discurso contundente em Barcelona, na Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou críticas severas às guerras em curso no mundo, enfatizando que as consequências mais duras desses conflitos recaem, invariavelmente, sobre a população mais pobre.
O mandatário brasileiro participou da quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, onde ressaltou a necessidade urgente de fortalecer o multilateralismo e de buscar soluções pacíficas para as tensões globais. Lula citou exemplos de como decisões de líderes de potências podem afetar a economia de outros países.
“O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, questionou Lula, demonstrando sua preocupação com os efeitos indiretos dos conflitos.
O peso das guerras sobre os mais vulneráveis e a fome no mundo
Lula destacou que a humanidade enfrenta desafios urgentes que demandam atenção global, como a fome e o analfabetismo. Ele ressaltou que mais de 760 milhões de pessoas passam fome no mundo e milhões são analfabetas, problemas que, segundo ele, deveriam ser prioridade em vez de conflitos armados.
O presidente lembrou ainda as perdas humanas causadas pela pandemia de Covid-19, evidenciando que o mundo já sofre com crises sanitárias e sociais. Para Lula, o foco deveria estar em combater essas mazelas e não em alimentar novas guerras.
O líder brasileiro observou que o cenário mundial atual registra o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Essa constatação o levou a clamar por uma atuação mais firme e coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apelo por uma ONU mais ativa e crítica ao Conselho de Segurança
“Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir aos cinco membros do Conselho de Segurança”, afirmou Lula, defendendo uma maior autonomia para a organização em momentos de crise. Ele criticou a postura de alguns países em impor suas vontens e iniciar guerras sem consultar a ONU.
Lula mencionou especificamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição em Gaza e o conflito entre Estados Unidos e Irã como exemplos de guerras que geram sofrimento e instabilidade. Ele criticou a falta de consenso e a paralisia que muitas vezes afeta o Conselho de Segurança da ONU.
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Nenhum. E os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento”, declarou o presidente.
Plataformas digitais e a regulação da informação
Durante seu discurso, Lula também abordou o papel das plataformas digitais na disseminação de desinformação e na desestabilização política. Ele defendeu que a própria ONU lidere discussões para a criação de regras compartilhadas entre as nações sobre o uso dessas ferramentas.
“A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Para mentir, você não tem que explicar. Para se justificar, você tem que se explicar”, lamentou o presidente, destacando a velocidade com que notícias falsas se espalham.
O presidente cobrou ações da ONU para garantir que as plataformas digitais sejam reguladas mundialmente. Ele criticou a interferência de presidentes em eleições de outros países, questionando a soberania eleitoral e territorial. Lula enfatizou que o debate sobre a regulação dessas plataformas deve ocorrer dentro das Nações Unidas.
Agenda internacional e o Fórum Democracia Sempre
A participação de Lula no Fórum de Defesa da Democracia em Barcelona faz parte de uma agenda internacional que inclui visitas à Alemanha e a Portugal. O Fórum, uma iniciativa lançada em 2024, envolve governos como Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai, buscando fortalecer a democracia e o multilateralismo.
Na Alemanha, o presidente participará da Hannover Messe, maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, onde o Brasil é o país homenageado. Em Portugal, Lula terá encontros com o primeiro-ministro e o presidente.


