Destaques:
- Governo federal prepara plano B para conter alta do diesel.
- Proposta de desoneração do ICMS sobre diesel importado enfrenta resistência dos estados.
- Novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assume com foco em ajuste fiscal e continuidade.
Em seu primeiro pronunciamento como ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu o cargo nesta sexta-feira, 20, delineou as estratégias do governo federal para enfrentar a escalada dos preços do diesel. A declaração de Durigan surge em um momento de preocupação econômica, impulsionada em parte pelos impactos do conflito no Oriente Médio nos mercados globais de energia. O ministro enfatizou que a equipe econômica está preparada para implementar medidas alternativas, caso a proposta de desoneração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação do combustível não obtenha o apoio necessário dos estados.
A iniciativa reflete a proatividade do governo em mitigar os efeitos da volatilidade internacional sobre a economia doméstica, especialmente no setor de transportes e logística, que é altamente dependente do diesel. A busca por soluções visa proteger o poder de compra e evitar pressões inflacionárias que poderiam decorrer do aumento dos custos dos combustíveis. Durigan assegurou que a pasta não permanecerá inerte diante dos desafios, reforçando o compromisso com a estabilidade econômica do país.
Desoneração do ICMS sobre o diesel: proposta e desafios
A proposta central do Ministério da Fazenda visava a isenção do ICMS sobre o diesel importado até o fim de maio, um esforço para aliviar a carga tributária e, consequentemente, o preço final do combustível. Para tornar a medida atrativa aos governadores, a União se comprometeu a compensar 50% das perdas de arrecadação dos estados, um custo estimado em cerca de R$ 3 bilhões por mês para os cofres federais. Essa compensação é um ponto crucial, pois o ICMS representa uma fatia significativa da receita estadual.
Apesar da oferta considerada “generosa” pelo ministro, a adesão dos estados tem sido limitada. Até o momento, apenas o governador do Piauí formalizou sua concordância com a desoneração. A resistência dos demais entes federativos sublinha a complexidade das negociações fiscais e a preocupação com o impacto nas finanças estaduais, mesmo com a promessa de compensação. A falta de um consenso rápido impulsiona a necessidade de o governo federal ter um plano de contingência.
Medidas alternativas para estabilizar o preço do diesel
Diante da possível não adesão generalizada à desoneração do ICMS, o ministro Dario Durigan afirmou que o governo federal já possui um leque de ações em andamento e outras em estudo para conter a alta dos combustíveis. Entre as medidas já implementadas, destacam-se o reforço na fiscalização para evitar abusos nos preços, ajustes na tabela de frete para transportadores e a desoneração de tributos federais, como PIS/Cofins, sobre o diesel. Essas ações buscam um alívio imediato e direto nos custos.
Além disso, o ministro indicou que novas intervenções podem ser acionadas, dependendo da evolução do cenário internacional e dos preços do petróleo. A flexibilidade na resposta governamental é essencial para adaptar-se à dinâmica geopolítica e econômica global. Durigan também observou uma redução na tensão com caminhoneiros após os anúncios iniciais, o que sugere um distensionamento em relação a rumores de paralisações da categoria, um setor vital para a economia nacional. A capacidade de resposta rápida do governo é crucial para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.
Continuidade da gestão e novas prioridades
Dario Durigan, que anteriormente atuou como secretário-executivo, enfatizou que sua gestão à frente do Ministério da Fazenda dará continuidade ao trabalho iniciado por Fernando Haddad. Essa transição, pautada pela manutenção das diretrizes, visa assegurar a estabilidade e a previsibilidade das políticas econômicas. “O trabalho sob a minha condução será de continuidade da gestão do ministro Fernando Haddad, com projetos aprovados e distorções corrigidas”, declarou Durigan, sinalizando um caminho de consolidação das reformas e iniciativas em curso.
Entre as prioridades delineadas pelo novo ministro, destacam-se o avanço do ajuste fiscal, a revisão de benefícios tributários e a busca pela melhoria da eficiência do gasto público. Tais medidas são fundamentais para a sustentabilidade das contas nacionais e para a criação de um ambiente de maior confiança para investimentos. Durigan também defendeu o aperfeiçoamento do sistema de crédito e uma maior regulação da concorrência em plataformas digitais, temas que refletem a modernização da economia e a necessidade de adaptação às novas realidades de mercado. Ele ressaltou que “a economia faz sentido quando percebemos resultados concretos na vida das pessoas”, reforçando o foco social das políticas econômicas.
Investimento sustentável e o futuro econômico
No âmbito do desenvolvimento sustentável, o ministro Durigan expressou a intenção de aprofundar o programa Eco Invest Brasil, que tem como objetivo captar recursos privados para projetos socioambientais. Essa iniciativa alinha o crescimento econômico com a responsabilidade ambiental, atraindo investimentos que contribuem para uma economia mais verde e resiliente. O programa, conforme mencionado, já demonstra resultados significativos em financiamentos.
Para impulsionar ainda mais essa agenda, Durigan anunciou que haverá uma emissão de títulos sustentáveis no mercado ainda este ano. Essa estratégia de financiamento verde é uma tendência global e posiciona o Brasil em um patamar de destaque na busca por soluções inovadoras para o desenvolvimento. A emissão de títulos sustentáveis não apenas atrai capital, mas também sinaliza o compromisso do país com a agenda climática e a transição para uma economia de baixo carbono, elementos cada vez mais valorizados por investidores internacionais. Para mais informações sobre as ações do governo, consulte a Agência Brasil.


