Eleições na Colômbia: Esquerda e direita em disputa acirrada definem rumos do país e da geopolítica sul-americana
Colombia se prepara para um domingo decisivo. Cerca de 41 milhões de eleitores colombianos irão às urnas para escolher o próximo presidente, em uma eleição marcada pela polarização entre esquerda e direita. O resultado pode redefinir o posicionamento do país na América do Sul, influenciando suas relações com os Estados Unidos e com o Brasil.
A disputa é apertada e três candidatos despontam como favoritos para chegar ao segundo turno, agendado para 21 de junho. A escolha dos colombianos definirá se o país seguirá mais alinhado à política externa dos Estados Unidos ou se manterá a linha de governo do atual presidente, Gustavo Petro, o primeiro líder de esquerda na história da Colômbia.
A eleição deste domingo não é obrigatória e representa um momento crucial para o futuro colombiano. A sucessão de Petro, que não pode concorrer à reeleição, coloca em jogo diferentes visões para o país, desde a continuidade de políticas sociais e ambientais até um retorno a alinhamentos mais tradicionais com Washington. Conforme informações divulgadas pelas fontes, a definição do próximo presidente terá implicações significativas para a região.
Ivan Cepeda: O Herdeiro Político da Esquerda e Defensor dos Direitos Humanos
Liderando as pesquisas, Ivan Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro, surge como forte candidato. O filósofo e senador de esquerda tem uma trajetória consolidada na defesa dos direitos humanos e foi peça fundamental nas negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 2016. Cepeda também é um dos formuladores da política de “Paz Total” de Petro, que busca encerrar décadas de conflito armado no país.
Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), destaca que Cepeda não apenas herda a popularidade de Petro, mas também possui uma trajetória política própria. Ele lembra que Cepeda enfrentou o ex-presidente Álvaro Uribe, uma figura proeminente da direita colombiana, e que sua história como legislador é significativa.
A chapa de Cepeda inclui uma vice-presidente indígena, Aida Quilcue, reforçando o compromisso com a diversidade e representatividade. Sua atuação contra o que ficou conhecido como “falsos positivos”, casos em que jovens foram mortos e apresentados como guerrilheiros para inflar estatísticas de combate, também é um ponto forte de sua campanha, evidenciando seu papel no combate a graves violações de direitos humanos.
Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella: As Vozes da Direita Tradicional e da Nova Extrema-Direita
Na outra ponta do espectro político, a senadora Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, representa a direita tradicional e se declara fiel seguidora do ex-presidente Álvaro Uribe. Valencia defende uma postura firme contra as guerrilhas, sem espaço para negociações, e sugeriu que Uribe assumisse o Ministério da Defesa.
Por outro lado, o advogado milionário Abelardo de La Espriella surge como um nome novo na política, apresentando-se como um outsider. Ele admira figuras da extrema-direita latino-americana, como Javier Milei e Donald Trump, e sua plataforma foca em um aumento da repressão contra a criminalidade. Espriella, conhecido por ter defendido figuras controversas, representa uma vertente mais radical da direita colombiana.
A disputa entre esses candidatos e Ivan Cepeda moldará o futuro alinhamento geopolítico da Colômbia. Um governo de Valencia ou Espriella tenderia a um estreitamento de laços com os Estados Unidos, enquanto a vitória de Cepeda indicaria a continuidade da aproximação com a política regional liderada pelo Brasil.
Geopolítica e o Futuro da Colômbia na América do Sul
A Colômbia possui uma localização estratégica na América do Sul, com acesso ao Pacífico e ao Caribe, o que a torna um ator importante no cenário regional. A eleição presidencial deste ano pode significar uma mudança nesse posicionamento estratégico.
Matheus Petrelli explica que Gustavo Petro buscou se aproximar de Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, em pautas ambientais e sociais. A eleição de um sucessor de esquerda manteria essa proximidade. Em contrapartida, a ascensão de candidatos de direita como Valencia ou Espriella poderia levar a Colômbia a retomar um vínculo mais estreito com os Estados Unidos, rompendo com a orientação adotada por Petro.
Até a eleição de Petro em 2022, a Colômbia era vista como uma das principais aliadas de Washington na região. A manutenção dessa parceria ou a busca por novos arranjos regionais está em jogo.
O Desafio da “Paz Total” e a Persistência da Violência
A segurança pública e o fim dos conflitos armados são temas centrais na Colômbia, um país marcado por décadas de violência. A proposta de “Paz Total” do governo Petro, que combina repressão com negociação com grupos armados, tem enfrentado desafios significativos.
Eventos recentes, como a expulsão de milhares de pessoas de suas casas na região de Catatumbo devido a combates entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e forças estatais, e um conflito entre dissidências das Farc que resultou em dezenas de mortos, evidenciam a complexidade da situação.
Os candidatos apresentam abordagens distintas para o problema. Enquanto a direita e a extrema-direita apostam no confronto militar como única solução, a esquerda, representada por Cepeda, defende uma abordagem multifacetada, que inclui tanto a repressão quanto a busca por acordos e negociações. A definição do próximo presidente impactará diretamente as estratégias para alcançar a paz duradoura no país.


