Brasil e Suriname estreitam laços comerciais e de cooperação com novas metas ambiciosas
Um novo capítulo nas relações entre Brasil e Suriname está prestes a ser escrito. A partir do segundo semestre, os dois países darão início a negociações para ampliar o acordo comercial existente, com o objetivo de **estimular novas oportunidades de negócios** e fortalecer a cooperação em diversos setores estratégicos. A iniciativa foi um dos pontos centrais do encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, em Brasília.
O comércio atual entre as nações é considerado **muito pequeno**, movimentando apenas US$ 55 milhões em 2025, e concentrado em poucos produtos, majoritariamente exportações brasileiras. Com o novo acordo, espera-se uma **expansão significativa** nos fluxos comerciais, incluindo medidas para facilitar as trocas e a inclusão de novos setores produtivos. A presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, ressaltou a importância da parceria para o desenvolvimento do seu país.
Conforme Lula declarou em coletiva de imprensa, o acordo comercial vigente é **extremamente restrito**. A visita da presidente surinamesa resultou na aprovação de termos de referência que visam **aumentar os fluxos de comércio e cooperação** entre Brasil e Suriname. A expectativa é que as negociações abordem desde a facilitação de comércio até a colaboração em áreas como energia, minerais e segurança alimentar, conforme informações divulgadas.
Cooperação em Energia e Minerais Críticos Impulsiona Economia
A descoberta de **gigantescas reservas de petróleo offshore** pelo Suriname, na Bacia da Guiana, representa um potencial de crescimento econômico para o país. Em 2024, a Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie já firmaram acordos para intercâmbio em petróleo, energias renováveis e segurança na exploração de hidrocarbonetos. O presidente Lula destacou que, assim como o Brasil, o Suriname possui um **vasto potencial em minerais críticos**, abrindo portas para a cooperação em mineração sustentável.
A cooperação bilateral visa ir além da exportação de matérias-primas, buscando a **industrialização local e a agregação de valor**. Essa abordagem conjunta pode contribuir para superar modelos econômicos históricos baseados unicamente na exportação de commodities. A presidente Geerlings-Simons vê no Brasil um parceiro confiável para o desenvolvimento dessas áreas.
Segurança Alimentar e Agricultura Familiar em Foco
A **segurança alimentar e nutricional** do Suriname é outra frente importante de cooperação. O Brasil pode contribuir significativamente com o fornecimento de carne bovina, suína, de aves e outros gêneros alimentícios. A presidente surinamesa enfatizou que baixar os custos dos alimentos e garantir a segurança alimentar são prioridades para o Suriname, e que o Brasil é um parceiro de confiança para alcançar esses objetivos.
A agenda da delegação surinamesa incluiu visitas a unidades da Embrapa para intercâmbio sobre agricultura familiar, segurança alimentar e sistemas agroflorestais sustentáveis. A cooperação técnica e científica entre os países foi formalizada por meio de diversos acordos e memorandos de entendimento assinados durante o encontro.
Programas Sociais e Integração Regional Fortalecidos
A presidente Jennifer Geerlings-Simons também conheceu de perto um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e um empreendimento do programa habitacional **Minha Casa, Minha Vida**. Essas iniciativas podem servir de inspiração para a criação de modelos semelhantes no Suriname, visando melhorar o bem-estar da população. A líder surinamesa destacou a importância de assegurar um **alto nível de vida e bem-estar para os cidadãos**.
Ao todo, foram assinados **13 acordos de cooperação** em áreas como segurança cibernética, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas, saúde pública, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e operações militares coordenadas na faixa de fronteira amazônica. As discussões também abrangeram o fortalecimento das conexões marítimas e aéreas, além do avanço do projeto “Anel das Guianas”, que visa integrar o Norte do Brasil com Guiana, Suriname e Guiana Francesa, facilitando o acesso ao mercado caribenho e a infraestrutura regional.


