EUA Aumentam Pressão Econômica Contra Cuba com Novas Sanções
Os Estados Unidos intensificaram a pressão econômica sobre Cuba com a imposição de novas sanções direcionadas a empresas estatais e parcerias internacionais. As medidas, anunciadas em meio a tensões geopolíticas globais, visam isolar ainda mais a ilha caribenha e impactar setores chave de sua economia.
A Casa Branca sancionou a empresa estatal cubana Gaesa, administrada pelas Forças Armadas Revolucionárias, e a joint venture Moa Nickel (MNSA), um empreendimento entre uma empresa cubana e a canadense Sherritt International. Essas ações geraram reações imediatas e levantam preocupações sobre o futuro das relações comerciais de Cuba com outros países.
A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia, avalia que as novas sanções podem ter um impacto significativo, especialmente no setor de níquel, um dos poucos que ainda operavam de forma robusta na ilha. A especialista também aponta que o grupo Gaesa já sofria com restrições anteriores, e as novas medidas podem assustar investidores estrangeiros. Conforme informação divulgada pela Agência Brasil, a sanção publicada nessa quinta-feira (8) se soma a outras medidas que têm dificultado o acesso de Cuba a recursos essenciais como petróleo, agravando a crise interna.
Impacto Imediato nas Operações Internacionais
A Sherritt International, empresa canadense parceira na Moa Nickel, anunciou a suspensão imediata de suas atividades em Cuba. Em comunicado oficial, a corporação explicou que a decisão dos EUA cria condições que alteram substancialmente sua capacidade de operar, afetando diretamente as atividades da joint venture na ilha. O rompimento do contrato com os parceiros cubanos foi prontamente comunicado.
Gaesa e a Acusação de Corrupção sob Foco Americano
O Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), um conglomerado de empresas estatais cubanas com atuação em diversos setores como construção, alimentos e hotelaria, foi um dos principais alvos das novas sanções. A presidente da Gaesa, Ania Guillermina Lastres Morera, também foi sancionada. Os EUA acusam a Gaesa de “corrupção”, utilizando o turismo como justificativa, setor que gera grande parte das divisas para o país. No entanto, a historiadora Caridade Massón Sena contesta essas alegações, afirmando que não há provas apresentadas e que casos de corrupção podem ocorrer em qualquer país.
Agravamento da Crise Energética e de Abastecimento em Cuba
As novas sanções americanas se somam a um cenário já crítico para Cuba. O país tem enfrentado um bloqueio naval contra a Venezuela, dificultando a importação de petróleo, e ameaças de tarifas contra nações que vendem combustíveis para Havana. Essas restrições levaram a um aumento dos apagões, elevação de preços de produtos básicos, redução do transporte público e da oferta da cesta básica subsidiada. Moradores de Havana consultados pela Agência Brasil descrevem o momento como o pior já vivido pela ilha, com escassez de eletricidade, combustível e medicamentos.
Cuba Reage e Acusa EUA de Agressão Unilateral
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, repudiou as novas sanções, classificando-as como uma “agressão unilateral contra uma nação e seu povo”. Em suas redes sociais, ele afirmou que o povo cubano e o mundo conhecem a crueldade das ações americanas e que a ilha busca viver em paz e livre da interferência imperialista. Díaz-Canel ressaltou que as medidas coercitivas unilaterais, baseadas em uma nova Ordem Executiva do presidente Donald Trump, não apenas agravam a situação econômica, mas também fortalecem a determinação cubana em defender sua soberania, a Revolução e o socialismo.
Direito Internacional e Condenação Global do Bloqueio
As sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, assim como outras medidas coercitivas unilaterais, violam o direito internacional por não possuírem autorização do Conselho de Segurança da ONU. A maioria dos países membros da Assembleia Geral da ONU, incluindo o Brasil, condena o embargo americano que já dura mais de seis décadas, reconhecendo os prejuízos econômicos e sociais causados à população cubana. As ações recentes reforçam a tentativa dos EUA de derrubar o governo cubano, desafiando a hegemonia política americana na América Latina há mais de 60 anos.


