Copa Feminina 2027 no Brasil Ganha Lei Geral com Reconhecimento Histórico a Pioneiras do Futebol
A pouco mais de um ano da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será sediada pela primeira vez na América do Sul, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei (PL) que representa um marco para o esporte feminino no país. A proposta, batizada de Lei Geral da Copa Feminina, não só regulamenta os direitos e deveres para a realização do torneio, mas também institui um reconhecimento inédito e merecido para as atletas que desbravaram o caminho do futebol feminino brasileiro.
O projeto, vindo do Ministério do Esporte, prevê o pagamento de um prêmio de R$ 500 mil para cerca de 30 ex-jogadoras. Este valor será destinado àquelas que participaram do Torneio Experimental da FIFA em 1988 e competiram na primeira Copa do Mundo Feminina, realizada na China em 1991. Esta iniciativa visa corrigir uma dívida histórica com as mulheres que enfrentaram inúmeros obstáculos, muitas vezes sem visibilidade ou apoio, para construir a modalidade no Brasil.
O Ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, destacou a importância do projeto, comparando-o à valorização dos campeões mundiais de 2014. Ele ressaltou que, assim como o futebol masculino foi celebrado, é fundamental agora honrar e reconhecer as contribuições das mulheres que, com persistência e paixão, pavimentaram o futuro do futebol feminino. A medida é vista como um ato de justiça histórica e um compromisso com a igualdade no esporte.
Justiça Histórica para as Guerreiras do Gramado
A deputada Gleisi Hoffmann, relatora do projeto, enfatizou o caráter reparatório da medida. Ela lembrou que, por quase quatro décadas, entre 1941 e 1979, o futebol feminino foi proibido por lei no Brasil, um período sombrio que gerou dificuldades persistentes para a modalidade. A aprovação da lei é vista como uma forma de o Estado democrático promover a reparação por essa proibição histórica, especialmente em tempos de ditadura.
A lei também prevê que, em caso de falecimento de alguma das ex-atletas homenageadas, o valor do prêmio poderá ser destinado aos seus herdeiros legais, garantindo que o reconhecimento alcance as famílias que compartilharam dessa jornada. A iniciativa reforça a importância da memória e da inclusão no esporte brasileiro, celebrando as mulheres que abriram portas para as novas gerações de jogadoras.
O Mundial Feminino como Impulsionador de Políticas Públicas
A Copa do Mundo Feminina de 2027 é vista não apenas como um evento esportivo, mas como uma oportunidade estratégica para o Brasil. A deputada Gleisi Hoffmann destacou que o torneio tem o potencial de ampliar a visibilidade do futebol feminino, fortalecer a formação de novas atletas e consolidar políticas públicas voltadas para o esporte. A aprovação na Câmara é um passo importante, e o projeto agora segue para análise no Senado Federal antes de ser sancionado pela Presidência.
O projeto de lei também aborda outros aspectos importantes para a realização do Mundial. Disciplina a produção e distribuição de conteúdos audiovisuais, com a exigência de que a FIFA disponibilize material editado dos melhores momentos das partidas em até seis horas após os eventos. Isso garante que o público tenha acesso rápido e dinâmico às emoções do torneio.
Comercialização e Legado da Copa Feminina
Um dos pontos incluídos na Lei Geral da Copa Feminina é a permissão para a venda de bebidas alcoólicas nos estádios e locais oficiais, desde que respeitadas as normas sanitárias vigentes. A proposta também autoriza a propaganda de bebidas alcoólicas durante transmissões e eventos oficiais da Copa, mesmo fora do horário de restrição usual, estendendo essa permissão para plataformas digitais, em linha com entendimentos já estabelecidos pelo Conar.
O texto abrange ainda regras sobre comércio nos locais dos jogos, proteção de marcas, patentes e acesso a imagens, buscando garantir segurança jurídica para a organização do torneio. A lei também prevê que os calendários escolares sejam ajustados para que as férias do primeiro semestre de 2027 coincidam com a competição, incentivando a participação popular e o envolvimento da sociedade com o evento. Além disso, o projeto permite a decretação de feriados nacionais em dias de jogos da seleção brasileira, e estados e municípios poderão instituir pontos facultativos durante os eventos em seus territórios, criando um clima de celebração nacional.
No que diz respeito aos direitos comerciais, a proposta estabelece as regras de exclusividade para a FIFA e seus parceiros, abrangendo imagens, marcas, sons e propriedades intelectuais relacionadas à competição. O governo brasileiro terá o direito de usar seus próprios símbolos em campanhas institucionais que não visem exploração comercial. Emissoras sem direitos de transmissão poderão exibir trechos limitados de até 30 segundos por evento e 3% da duração da partida em programas estritamente jornalísticos, sem associação comercial, garantindo o acesso à informação.


