Prefeito aponta que linha 18-Bronze serviria melhor ao ABC do que BRT. Indenização superior a R$ 300 milhões por quebra de contrato levanta dúvidas sobre justificativa de desapropriações e reforça críticas à substituição do monotrilho
Declarações recentes do prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima, reacenderam o debate sobre o cancelamento da Linha 18-Bronze, projeto que ligaria o ABC Paulista à rede metroferroviária, através de 15 estações entre a Tamanduateí e São Bernardo do Campo. O chefe do Executivo municipal afirmou que o monotrilho seria uma alternativa mais eficiente ao atual BRT em implantação, destacando impactos negativos da mudança de estratégia.
Cancelamento Ilógico
A Linha 18 foi cancelada em 2019, durante a gestão do então governador João Doria, com apoio de lideranças regionais, incluindo o ex-prefeito Orlando Morando. À época, o argumento central para a decisão envolvia dificuldades relacionadas às desapropriações e ao custo do projeto. Porém, atualmente, esses argumentos envelheceram mal.
Sendo assim, o encerramento do contrato acabou gerando um impacto financeiro significativo. O governo estadual firmou acordo para indenizar o consórcio responsável em valores que superam R$ 300 milhões, podendo chegar a cerca de R$ 335 milhões a R$ 344 milhões após atualizações. Ou seja, podemos perguntar o que factualmente o ex-governador, o ex-prefeito e a base aliada receberam por esse cancelamento? Oneraram os pagadores de impostos paulistas, em troco de receberem o quê?
Diante desse cenário, críticas têm se intensificado ao apontar que o valor pago pela quebra contratual poderia ser direcionado às desapropriações necessárias para viabilizar a obra. Para analistas e lideranças políticas, a decisão resultou em prejuízo duplo: além do gasto elevado com indenização, a região permaneceu sem uma solução estrutural de transporte de alta capacidade.
Mais críticas
A substituição pelo BRT também segue sendo alvo de questionamentos. Pois o sistema de ônibus possui menor capacidade e integração em comparação a uma linha metroviária. Assim, reforça o entendimento de que a decisão comprometeu o planejamento de mobilidade no ABC paulista. Além disso, são 7 anos de obras, sem a conclusão do corredor de ônibus para uso da população, punida com trânsito crônico, principalmente em dias de chuva, e altos custos pessoais pelo tempo de deslocamento pela cidade.
Portanto, as declarações do prefeito Marcelo Lima reforçam uma avaliação crítica sobre o episódio, apontando que a justificativa baseada nas desapropriações não se sustentou diante dos custos posteriores e dos impactos negativos na mobilidade regional.


