Lula relembra o legado de Milton Santos em seu centenário, destacando sua crítica à globalização
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou homenagem a Milton Santos, um dos mais importantes geógrafos brasileiros, em celebração ao centenário de seu nascimento, ocorrido neste domingo (3). Lula ressaltou a profunda contribuição do intelectual baiano para a compreensão das complexidades da globalização e das desigualdades que ela acarreta.
Em suas redes sociais, o presidente enfatizou que a obra de Milton Santos é uma referência essencial para analisar as disparidades socioeconômicas e os potenciais de mudança que emergem das periferias. Lula descreveu Santos como um intelectual que compreendeu o Brasil de forma ímpar, consolidando-se como uma figura de destaque não apenas no país, mas em todo o cenário mundial da geografia.
A atualidade do pensamento de Milton Santos foi um ponto central na manifestação de Lula. O presidente apontou que, em um contexto de significativas transformações geopolíticas globais, as ideias do geógrafo permanecem não só relevantes, mas também necessárias para a interpretação do mundo contemporâneo. A declaração foi divulgada neste domingo, 3 de dezembro. Conforme informação divulgada pelo próprio presidente Lula.
A Visão Crítica de Milton Santos sobre a Globalização
Milton Santos, falecido em 2001 aos 75 anos, deixou um legado intelectual que continua a influenciar análises socioeconômicas em diversas partes do globo. Sua teoria sobre a globalização é aplicada em estudos que vão desde as dinâmicas urbanas em Gana, na África, até as metrópoles europeias como Londres e Paris, demonstrando a universalidade de sua obra.
Em sua célebre obra “Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal”, publicada no ano 2000, Milton Santos cunhou o termo “globalização perversa”. Ele descreveu como a promessa de integração e progresso, frequentemente associada à globalização, na realidade intensifica as desigualdades em escala planetária.
O Mundo Menos Unido Sob a “Globalização Perversa”
O geógrafo argumentou que um mercado globalizado, muitas vezes apresentado como um agente de homogeneização, na verdade acentua as diferenças locais. Segundo Santos, essa busca por uniformidade, que serve a interesses hegemônicos, paradoxalmente resulta em um mundo menos coeso, afastando o ideal de uma cidadania verdadeiramente universal.
A obra de Milton Santos oferece ferramentas valiosas para quem busca entender as dinâmicas de poder e as disparidades que moldam o cenário global. Seu centenário é um convite à reflexão sobre os caminhos que o mundo tem trilhado e a importância de se buscar alternativas mais justas e equitativas.
Um Legado Intelectual Para Entender o Brasil e o Mundo
A obra de Milton Santos segue viva e inspiradora. Seu centenário é uma oportunidade para revisitar suas ideias e compreender melhor os desafios contemporâneos. O pensamento do geógrafo baiano continua a ecoar como um chamado à consciência crítica e à busca por um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável.


