Petro acusa fraude eleitoral e aponta para empresas e Israel
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou as redes sociais para denunciar o que chamou de “delito contra o voto”, alegando supostas fraudes na eleição presidencial de domingo (21). Petro afirmou que muitos formulários E-14, que registram os votos de cada urna, foram alterados após serem carregados digitalmente.
Segundo o presidente, o registro de data e hora, bem como o Hash dos algoritmos, foram removidos para permitir modificações deliberadas. Ele especificamente mencionou os escritórios dos “irmãos Bautista”, donos da Thomas Greg & Sons, uma das empresas responsáveis pela contagem preliminar dos votos na Colômbia.
As declarações de Petro, divulgadas na última segunda-feira (22), geraram grande repercussão. A contagem preliminar, que tem caráter informativo e não oficial, apontou vitória do opositor Abelardo De La Espriella. Conforme a pré-contagem, De La Espriella obteve 49,66% dos votos válidos, enquanto Iván Cepeda, candidato apoiado por Petro, alcançou 48,70%.
Irregularidades no exterior e envolvimento de Israel
Petro também levantou suspeitas sobre irregularidades ocorridas no exterior, citando um consulado onde 80 eleitores estariam inscritos, mas que teria registrado mil votantes. De forma ainda mais surpreendente, o presidente sugeriu um possível envolvimento do Estado de Israel nas supostas fraudes.
“Hoje temos evidências de uma mudança nos endereços de IP de vários servidores pertencentes ao Registro Nacional”, afirmou Petro. Ele argumentou que essa ação indica um comprometimento do software, com dados de seções e centros de votação sendo registrados por terceiros. Para ele, “a única entidade no mundo capaz de fazer isso é o Estado de Israel”.
Processo eleitoral colombiano: pré-contagem e escrutínio
Na Colômbia, a apuração eleitoral ocorre em duas etapas distintas. A pré-contagem é divulgada no mesmo dia da votação e serve como um indicativo inicial. No entanto, o resultado oficial é definido pelo escrutínio.
O escrutínio é conduzido por juízes eleitorais, com a fiscalização de partidos políticos. Nesta fase, os formulários E-14 são verificados manualmente, garantindo a consolidação do resultado oficial e a análise de eventuais contestações. A diferença entre os dois candidatos, segundo a pré-contagem, foi de aproximadamente 250 mil votos.
Candidato opositor adota cautela e aguarda escrutínio
Em coletiva de imprensa, Iván Cepeda adotou um tom mais cauteloso, evitando falar diretamente em fraude, mas confirmando que sua campanha apresentou 57,1 mil reclamações para análise dos juízes eleitorais. Ele declarou que aguardará a conclusão do escrutínio para se pronunciar oficialmente.
“É esperar, com calma, o resultado desse escrutínio, momento em que, verificadas todas as reivindicações que fizemos, tiradas todas as dúvidas que temos, procederemos como acontece nas democracias para anunciar o nosso reconhecimento do resultado, estando tudo em ordem”, disse Cepeda.
Especialistas e precedentes eleitorais
Matheus Petrelli, especialista em política colombiana, avalia que as acusações de Petro são abrangentes e precisam ser devidamente verificadas. Ele ressalta que o escrutínio é o momento adequado para a apuração dessas denúncias. Historicamente, a pré-contagem costuma ter resultados muito próximos aos do escrutínio.
No entanto, um precedente de 2022, nas eleições legislativas, mostrou que o escrutínio pode alterar significativamente os resultados preliminares. Na ocasião, o Pacto Histórico, coalizão de Petro, recuperou cerca de 389 mil votos e ganhou três cadeiras adicionais no Congresso após a revisão dos dados da pré-contagem.
Defesa do processo e manifestações internacionais
O registrador nacional, Hernán Penagos, defendeu a integridade do processo eleitoral, classificando-o como “altamente eficiente” e conduzido com garantias absolutas. Ele reiterou que o escrutínio é baseado em documentos físicos e realizado por juízes, não pela Registradoria.
Missões internacionais de observação, como a da OEA, elogiaram a jornada eleitoral e pediram calma aos colombianos. A Missão de Observação Eleitoral da OEA afirmou que continuará acompanhando de perto todas as fases da apuração e a resolução de eventuais contestações, destacando a importância da proteção das instituições para a consolidação democrática no país.


