Reino Unido ignora Trump e diz não a bloqueio naval no Estreito de Ormuz, gerando tensão internacional e alta no petróleo
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deu um claro sinal de descontentamento com a política externa de Donald Trump, rejeitando a participação britânica em um bloqueio naval proposto pelo presidente dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. A decisão, comunicada nesta segunda-feira (13) à BBC, marca um distanciamento significativo entre aliados tradicionais.
Starmer enfatizou que, independentemente da pressão exercida, o Reino Unido não será envolvido em um conflito militar. “Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”, declarou o primeiro-ministro.
A notícia chega em um momento de alta instabilidade na região, com o preço do barril de petróleo tipo Brent voltando a subir, atingindo novamente os US$ 100, um aumento de cerca de 5,5%. O Estreito de Ormuz é uma rota vital para o comércio global de energia, por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás do planeta.
Aliados Evitam Confronto Direto com o Irã
Apesar da pressão de Donald Trump, que chegou a classificar países relutantes como “covardes” e ameaçar a Otan, outros aliados importantes também demonstraram relutância em aderir à iniciativa americana. O Japão, um grande importador de petróleo da região, manifestou preferência por uma solução diplomática. O chefe de gabinete do governo japonês, Minoru Kihara, afirmou que o Japão acompanha a situação “de perto” e defende a desescalada e um acordo rápido por meio da diplomacia.
Em uma tentativa de contornar a crise, o Reino Unido e a França planejam realizar uma conferência nos próximos dias para discutir a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que a conferência reunirá “países dispostos a contribuir ao nosso lado para uma missão multinacional pacífica”, descrevendo a iniciativa como “estritamente defensiva”.
China Pede Fim do Conflito Militar como Solução
A China também se pronunciou sobre a crise, apontando o conflito militar na região como a causa primária das perturbações no Estreito de Ormuz. Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, declarou que “a causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar” e que “para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível”.
A posição chinesa reforça a necessidade de uma abordagem diplomática para a resolução da tensão. A China reafirmou seu compromisso em “desempenhar um papel construtivo” para alcançar a paz e a estabilidade na região.
Irã Ameaça Retaliação e ONU Vetou Ações Militares
Em resposta à ameaça de bloqueio, as Forças Armadas do Irã emitiram um comunicado ameaçando retaliações contra portos no Golfo Péreigo e no Mar de Omã caso a segurança dos portos iranianos seja comprometida. Teerã alertou que seus inimigos não conseguirão transitar pelo Estreito de Ormuz. Essa escalada verbal ocorre após o fracasso de negociações em Islamabad.
Vale lembrar que, na semana passada, Rússia e China vetaram no Conselho de Segurança da ONU uma resolução que permitiria o uso da força para reabrir o Estreito de Ormuz, demonstrando um alinhamento contrário à postura mais agressiva defendida pelos Estados Unidos.


