Audiência Pública debate PEC da Reparação Histórica com foco em igualdade racial e futuro do Brasil
Um marco na luta por igualdade racial no Brasil foi debatido em São Paulo. Uma audiência pública focada no Projeto de Lei 27/2024, conhecido como PEC da Reparação, reuniu cerca de 200 participantes, incluindo representantes de importantes instituições do movimento negro, como a Coalizão Negra por Direitos e a Unegro.
O encontro, realizado na área externa da ocupação 9 de Julho, serviu para apresentar o andamento do projeto e reforçar a necessidade de mobilização social. Parlamentares favoráveis à proposta explicaram os detalhes da Emenda à Constituição e a importância da participação popular para sua aprovação.
A PEC da Reparação visa instituir um novo capítulo na Constituição Federal, dedicado à promoção da igualdade racial, e criar o Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial (FNREPIR). Conforme informação divulgada pelo professor José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, “Precisamos da mobilização das pessoas, das instituições, mas sobretudo precisamos também de sensibilização dos nossos aliados, os nossos parceiros”. Essa mobilização é crucial, considerando que são necessários 513 deputados para aprovar a medida, e a representatividade negra no Congresso ainda é insuficiente.
FNREPIR: Um Fundo Bilionário para a Igualdade Racial
O FNREPIR, caso aprovado, será composto por R$ 20 bilhões do orçamento federal, com um aporte anual de R$ 1 bilhão. Além disso, o fundo poderá receber indenizações de empresas que, historicamente, se beneficiaram da escravidão. O objetivo principal é financiar políticas públicas e privadas voltadas para a promoção da igualdade de oportunidades e a inclusão social de pretos e pardos no país.
“É (recurso para) operação de políticas públicas e privadas. A operação de uma vida numa sociedade econômica capitalista só se faz com os recursos econômicos indispensáveis para operar essas medidas”, explicou o professor José Vicente. Ele ressaltou o potencial transformador do fundo, especialmente na garantia da vida e integridade física dos jovens negros, um dos focos principais das ações a serem implementadas.
Caminho para Aprovação no Congresso e Papel da Sociedade
A expectativa é que o PL 27/2024 avance para votação em maio, após sinalização positiva do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta. Por se tratar de uma Emenda à Constituição, a aprovação exigirá dois terços dos votos em dois turnos em ambas as casas legislativas, Câmara e Senado. Parlamentares presentes na audiência expressaram otimismo quanto à aprovação.
O relator da proposta, deputado Orlando Silva (PC do B/SP), enfatizou a importância da união de todos na luta contra o racismo. “Do mesmo modo que a luta contra o racismo não é uma luta apenas de pretos, não negros devem somar essa luta. Essa luta é da sociedade brasileira”, afirmou. Ele destacou que a luta contra o racismo transcende espectros políticos, sendo uma causa de todos que defendem a dignidade humana e reconhecem o racismo estrutural existente no Brasil.
Próximos Passos e Impacto das Políticas
Após a aprovação no Congresso Nacional, a PEC da Reparação será enviada à Presidência da República para sanção, tornando-se lei e permitindo a estruturação de seu funcionamento, incluindo a formação de um conselho gestor para o FNREPIR. O deputado Orlando Silva complementou que, atualmente, as políticas públicas de promoção da igualdade racial no Brasil têm baixo impacto devido à escassez de recursos, e a PEC visa justamente **ampliar o alcance e a efetividade dessas iniciativas**.
A iniciativa busca não apenas reparar injustiças históricas, mas também construir um futuro mais equitativo, onde a cor da pele não seja um impedimento para o pleno exercício da cidadania e o acesso a oportunidades. A **mobilização contínua** e o engajamento da sociedade civil são vistos como fundamentais para o sucesso desta importante legislação.


