Tensões se Agravam no Oriente Médio: EUA Atacam Irã, que Responde com Mísseis no Kuwait
A madrugada desta quinta-feira (28) foi marcada por uma escalada de conflitos na região do Oriente Médio. Os Estados Unidos realizaram o segundo ataque contra o Irã em um intervalo de apenas três dias. Em resposta direta, o Irã anunciou ter lançado mísseis contra uma base militar americana, embora o país não tenha especificado a localização exata.
No entanto, o Kuwait comunicou a interceptação de projéteis em seu espaço aéreo, indicando que o alvo da retaliação iraniana pode ter sido uma instalação americana em seu território. Essa troca de ataques coloca em xeque o frágil cessar-fogo vigente entre Irã e EUA, em um momento delicado onde Israel intensifica bombardeios no Líbano, incluindo a capital Beirute.
O Irã tem exigido o fim das hostilidades também no Líbano, mas as negociações diplomáticas continuam sem apresentar resultados concretos. Conforme informação divulgada pelo Comando Central dos EUA, a ação iraniana contra o Kuwait ocorreu após as forças americanas abaterem cinco drones iranianos e impedirem o lançamento de um sexto drone em Bandar Abbas, no Irã.
Drones Iranianos Representavam Ameaça Próxima ao Estreito de Ormuz, Diz EUA
O Comando Central dos Estados Unidos, responsável pela coordenação militar americana no Oriente Médio, justificou a ação contra os drones como uma resposta a uma “ameaça clara perto do Estreito de Ormuz”. A região é de suma importância estratégica para o transporte global de petróleo.
Em comunicado oficial, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou que o ataque à base militar americana ocorreu às 4h50 do horário local. A base foi identificada como a origem do ataque americano nos arredores do aeroporto de Bandar Abbas, no sul do Irã. O IRGC emitiu um “sério aviso”, declarando que o ataque não ficaria sem resposta e que, em caso de repetição, a retaliação seria “mais decisiva”.
Kuwait Intercepta Projéteis Iranianos; Arábia Saudita e Aliados Criticam Retaliação
Apesar do Irã não ter divulgado o país onde a base americana estaria localizada, tanto o Kuwait quanto os Estados Unidos confirmaram que os mísseis iranianos foram direcionados ao Kuwait e foram interceptados pelas defesas aéreas kuwaitianas. O Estado-Maior do Exército do Kuwait informou que “as fortes explosões ouvidas em algumas partes do Kuwait foram resultado dessas interceptações”.
Países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, manifestaram críticas à retaliação iraniana contra o território kuwaitiano. O governo da Arábia Saudita condenou os “ataques hostis com mísseis e drones contra o Estado irmão do Kuwait” em “suas mais fortes palavras”.
Guerra no Líbano Continua, e Negociações de Paz Estagnam
Enquanto a tensão aumenta entre EUA e Irã, Israel prossegue com sua campanha de bombardeios no Líbano, atingindo inclusive a capital Beirute. O grupo político-militar Hezbollah tem respondido com operações contra forças israelenses na região. Desde o início desta nova fase do conflito no Líbano, em 2 de março, mais de 3,2 mil pessoas morreram e mais de 9,7 mil ficaram feridas, segundo dados do Ministério da Saúde libanês.
As negociações para um acordo de paz permanecem em um impasse. O Irã exige a retirada das bases militares americanas do Oriente Médio, o desbloqueio de seus recursos financeiros congelados no exterior e o levantamento das sanções econômicas. Por outro lado, Washington demanda a entrega do urânio iraniano e a abertura completa do Estreito de Ormuz.
Um representante do parlamento iraniano, Ibrahim Azizi, declarou que o país não cederá em suas exigências, incluindo o direito de enriquecer urânio e a autoridade sobre o Estreito de Ormuz, desafiando a retórica americana. Analistas consultados pela Agência Brasil sugerem que a justificativa dos EUA e Israel para o conflito, como o programa nuclear iraniano, pode ser um pretexto para derrubar a República Islâmica e expandir a influência israelense na região, além de conter a expansão econômica da China.


