Educação como Pilar para Autonomia e Progresso: Brasil e África Unidos Contra Desigualdades
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a educação como um instrumento fundamental para a construção de uma consciência crítica e para o combate às desigualdades sociais. Segundo o presidente, essa visão da educação como força transformadora é vista como uma ameaça por setores da extrema direita.
A declaração ocorreu durante a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, um evento que reuniu líderes universitários dos dois continentes. A iniciativa, organizada pela Association of African Universities (AAU), busca fortalecer a cooperação acadêmica e científica.
Lula relembrou os cinco eixos estruturantes definidos na Cúpula de Líderes Celac-África, que incluem o combate à fome, as mudanças climáticas, a transição energética, a democratização da inteligência artificial e a integração de cadeias produtivas. O presidente ressaltou que a educação é a base para enfrentar todos esses desafios, conforme informações divulgadas pelo governo.
A Educação como Antídoto Contra a Opressão
O presidente Lula argumentou que a extrema direita teme a educação pois ela é o caminho para que as pessoas desenvolvam uma compreensão profunda da realidade em que vivem. Ele criticou a postura de grupos que buscam cercear a autonomia universitária, silenciar professores e estudantes, e reprimir a diversidade.
“Por isso, em várias partes do mundo, a extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumento de dominação”, declarou Lula, defendendo o poder emancipador do conhecimento.
Ele acrescentou que o pensamento crítico é intrinsecamente ligado à luta anticolonial e ao combate a todas as formas de discriminação, como racismo, misoginia e xenofobia. Nesse sentido, as universidades reafirmam seu papel como bastiões da resistência e do progresso.
Combate ao Colonialismo Digital e Avanço Tecnológico
Lula também destacou a importância da educação para o desenvolvimento científico e tecnológico dos países, com ênfase na Inteligência Artificial como ferramenta estratégica. Ele alertou para o risco do “colonialismo digital”, onde algoritmos, controlados por poucos países e empresas, podem se tornar instrumentos de dominação.
“Sem investir em infraestrutura digital, não será possível superar carências crônicas em alta tecnologia, saúde, agricultura e educação básica”, argumentou o presidente, defendendo a criação de modelos de linguagem de IA que também incorporem as línguas dos povos africanos. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê linhas de financiamento para cooperação com a África e a América Latina, totalizando US$ 30 milhões em projetos e uso de infraestruturas.
Fortalecendo Laços: Cooperação e Intercâmbio Acadêmico
O secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Oyewle, reconheceu o apoio histórico do Brasil às universidades africanas, iniciado durante o primeiro mandato de Lula. Ele ressaltou a necessidade de descolonizar currículos e fortalecer a pesquisa no continente, buscando apoio de parceiros como o Brasil.
Um marco importante foi a assinatura de acordos do programa Capes Move África, que destinará R$ 47,4 milhões para trazer 2,6 mil pós-graduandos africanos ao Brasil a partir de 2027. Serão oferecidas 1,6 mil bolsas de mestrado sanduíche e 1 mil de doutorado sanduíche, fortalecendo a mobilidade acadêmica.
O Fórum de Reitores visa consolidar a educação superior como eixo central na relação Brasil-África, ampliando a integração acadêmica, científica e tecnológica. O evento inclui painéis, reuniões bilaterais e workshops para a construção de novas parcerias em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis, mineração, inteligência artificial e ciências humanas. Atualmente, o Brasil possui 235 acordos de cooperação com instituições de ensino superior de 38 países africanos.


