Câmara dos Deputados avança na discussão sobre a jornada de trabalho e a extinção da escala 6×1
A Câmara dos Deputados deu um passo importante nesta quarta-feira (29) ao instalar a comissão especial que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19. O foco principal é a potencial extinção da escala de trabalho 6×1, um modelo que tem gerado debates sobre o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.
A instalação do colegiado marca o início de uma fase crucial para a discussão de duas propostas que visam alterar significativamente a jornada de trabalho no país. A expectativa é que o debate seja amplo e envolva diversos setores da sociedade, buscando um consenso sobre o futuro das relações de trabalho.
Conforme informação divulgada pela Câmara dos Deputados, a comissão terá o prazo de até 40 sessões para apresentar seu parecer. A partir de agora, o foco se volta para a apresentação de emendas, que deverão ser protocoladas em até 10 sessões, e para as reuniões de debate. A criação da comissão ocorreu após a proposta ter sua admissibilidade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Presidência e Relatoria Definidas para Conduzir o Debate
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) foi eleito presidente da comissão especial, recebendo 28 votos favoráveis e três brancos. A relatoria ficará a cargo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA). A eleição dos cargos representa o pontapé inicial para os trabalhos de análise das propostas.
Ao assumir a presidência, Santana destacou a importância histórica das lutas por direitos trabalhistas no Brasil, relembrando períodos como a escravidão e o trabalho infantil. Ele enfatizou que as conquistas sociais, como a CLT e o salário mínimo, enfrentaram resistências, mas foram fundamentais para o progresso. “O mundo avançou, e todas essas mudanças ocorreram com divergências, resistências, mas o mundo foi evoluindo”, afirmou.
Duas Propostas em Análise para Redução da Jornada
A comissão especial irá analisar duas propostas distintas. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, com uma transição prevista para dez anos. Essa medida visa proporcionar um descanso mais prolongado e significativo para os trabalhadores.
A segunda proposta, apensada à PEC 221/19 e de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), é a PEC 8/25. Esta prevê a adoção de uma escala de trabalho de quatro dias por semana, com o limite de 36 horas semanais. Ambas as propostas, se aprovadas, têm o potencial de acabar com a escala 6×1, que impõe seis dias de trabalho seguidos por um de descanso.
Qualidade de Vida e Família no Centro do Debate
O relator Leo Prates defendeu a redução da jornada, argumentando que a mudança trará mais qualidade de vida e tempo para o convívio familiar, lazer e cuidados com a saúde. “Não há preço que seja caro demais para a gente pagar enquanto poder público para um benefício social tão grande”, declarou Prates, ressaltando o impacto humano da proposta.
Prates também conectou a discussão com a importância da família na sociedade. “Eu vejo muitos cristãos falando da deterioração das famílias. É sobre isso que nós estamos falando aqui. Não é só sobre os trabalhadores, é sobre as crianças que nós estamos falando”, disse o relator. Ele assegurou que o relatório buscará ser “a favor das pessoas e a favor do nosso futuro do nosso país”.
Comissão Eleva Vice-Presidentes e Define Prazos
Além do presidente e relator, a comissão elegeu a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) como primeira vice-presidente. Ela destacou a importância histórica do debate e ressaltou seu compromisso com as mulheres trabalhadoras, que frequentemente enfrentam múltiplas jornadas. “Pelas mulheres trabalhadoras desse país, que têm dupla, tripla, quadrupla jornada, coloco aqui a minha disposição para o trabalho”, afirmou.
Os demais vice-presidentes eleitos foram o deputado Luiz Gastão (PSD-CE) como segundo vice-presidente e o deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) como terceiro vice-presidente. A comissão, composta por 38 membros titulares e suplentes, terá um prazo de 40 sessões para proferir seu parecer. Inicialmente, o colegiado deverá realizar duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras, para debater a matéria.


