Irã ataca petroleiro perto de Dubai em meio a tensões com os EUA e ameaças de Trump sobre o Estreito de Ormuz
Um navio petroleiro, o Al-Salmi, de bandeira do Kuwait e totalmente carregado, foi incendiado nesta terça-feira ao largo de Dubai, em um ataque que Teerã atribuiu a drones. A ação ocorre em um momento de escalada de tensões com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ter ameaçado destruir infraestruturas iranianas caso o país não aceite um acordo de paz e não abra o estratégico Estreito de Ormuz.
Autoridades de Dubai confirmaram que o incêndio foi controlado, sem registro de vazamento de óleo ou feridos entre a tripulação. No entanto, a Kuweit Petroleum Corp, proprietária da embarcação, informou que o casco sofreu danos significativos. Este incidente é o mais recente de uma série de ataques a navios mercantes na vital hidrovia desde o fim de fevereiro.
Os dados de monitoramento indicam que o Al-Salmi se dirigia a Qingdao, na China, transportando aproximadamente 1,2 milhão de barris de petróleo saudita e 800 mil barris de petróleo kuwaitiano. As informações foram divulgadas pelo serviço de monitoramento TankerTrackers.com. Conforme a fonte, o conflito que se estende pela região já causou milhares de mortes e afeta o fornecimento global de energia.
Possível erro de alvo e impacto nos preços do petróleo
Há indícios de que o Al-Salmi pode não ter sido o alvo pretendido. A Guarda Revolucionária do Irã declarou ter atacado um navio de contêineres no Golfo devido a seus laços com Israel. Contudo, as informações sugerem que o alvo real poderia ser o Haiphong Express, com bandeira de Singapura, que estava ancorado próximo ao petroleiro, de acordo com dados de navegação.
O ataque ao navio-tanque, que tem capacidade para transportar cerca de 2 milhões de barris de petróleo, avaliados em mais de US$ 200 milhões, provocou uma breve elevação nos preços do petróleo. A instabilidade na região, que já dura um mês, tem impactado significativamente o fornecimento de energia e ameaça a economia global.
Esforços diplomáticos e a importância do Estreito de Ormuz
Diante da persistência dos ataques, o Paquistão tem buscado mediar o conflito. O ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, deve discutir a situação durante uma visita à China, após encontros com representantes da Turquia, Egito e Arábia Saudita. A China, aliada do Irã e principal comprador de seu petróleo, reiterou o apelo para que todas as partes cessem as operações militares.
O Estreito de Ormuz é uma via marítima crucial, por onde transita cerca de um quinto do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito. Recentemente, três navios chineses obtiveram autorização para navegar pelo estreito, apesar das crescentes tensões. O Irã, por sua vez, alega ter recebido propostas de paz dos EUA por meio de intermediários, mas as considera “irrealistas, ilógicas e excessivas”, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
Ameaças de Trump e alerta para mercados de energia
Em resposta às declarações iranianas, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estavam em negociações com um “regime mais razoável”. No entanto, o presidente americano reforçou o aviso sobre o Estreito de Ormuz, declarando que os EUA destruiriam usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo do Irã, caso um acordo de paz não seja alcançado em breve e o estreito não seja liberado para navegação.
A falta de um acordo de paz levou o chefe de energia da União Europeia a alertar os estados-membros para se prepararem para uma “interrupção prolongada” nos mercados de energia, evidenciando a gravidade da situação e o potencial impacto global das tensões no Oriente Médio.


