Lula atribui guerra e alta do diesel a Trump e potências nucleares, clamando por paz mundial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente nesta terça-feira (31) a guerra em andamento, associando-a diretamente ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aos efeitos negativos sobre o preço internacional do petróleo. Essa escalada, segundo Lula, impacta diretamente o bolso do cidadão brasileiro, especialmente com o aumento do preço do óleo diesel, um insumo essencial para a economia do país, que depende de cerca de 30% de importações para suprir o consumo interno.
Diante desse cenário, o governo brasileiro tem buscado implementar medidas para mitigar os efeitos da volatilidade do mercado. Lula destacou que o Executivo está empenhado em evitar uma nova disparada nos preços do diesel e ressaltou que, após a privatização da BR Distribuidora no governo anterior, a redução dos preços pela Petrobras nem sempre se reflete integralmente na ponta, devido à atuação de intermediários.
“Nós tomamos todas as medidas possíveis para evitar que se aumente o óleo diesel. Mas, no governo passado, eles venderam a distribuidora. Então, quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, explicou o presidente durante um evento em São Paulo que celebrou os 21 anos do Prouni e os 14 anos da Lei de Cotas Raciais. A declaração foi feita em um tom de alerta sobre a necessidade de estabilidade econômica e social, conforme informações divulgadas pelo portal G1.
Governo anuncia subsídio para diesel importado
Em resposta à pressão sobre os preços, o governo brasileiro prepara a publicação de uma medida provisória (MP) que instituirá um subsídio para o diesel importado. A proposta, confirmada pelo ministro Dario Durigan, prevê um desconto de R$ 1,20 por litro, com o objetivo de conter a alta dos combustíveis e prevenir riscos de desabastecimento. O custo total estimado é de R$ 3 bilhões, a ser dividido igualmente entre a União e os estados, cada um arcando com R$ 0,60 por litro subsidiado.
Lula aponta potências nucleares como responsáveis pela paz mundial
Em seu discurso, Lula direcionou um forte apelo aos líderes das cinco maiores potências militares do planeta e membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia. Ele enfatizou que a criação da ONU, em 1945, tinha como propósito a manutenção da paz, mas que a realidade atual mostra esses países envolvidos em conflitos. “Vocês estão vendo o bloqueio à Cuba, o que fizeram na Venezuela, o que fizeram no Irã. E agora, o que está acontecendo com a guerra no Irã? O preço do combustível está subindo, e o preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, alertou.
O presidente conclamou esses líderes a “criarem juízo”, pois “o mundo precisa de paz, o mundo não precisa de guerra”. Ele ressaltou que a guerra, que já completa um mês sem perspectivas de acordo, tem levado ao aumento de cerca de 50% no preço do barril de petróleo e gera riscos ambientais e climáticos na região do Oriente Médio, um dos principais polos produtores de petróleo do mundo.
Impacto global da guerra e a busca pela estabilidade
A instabilidade geopolítica gerada pelo conflito no Irã e seus desdobramentos globais foram o foco central do pronunciamento de Lula. Ele reiterou que a guerra não é do povo brasileiro e que o país não deve ser vítima de tais conflitos. A preocupação do governo é com o efeito cascata que a alta do petróleo causa na inflação, afetando diretamente o custo de vida de todos os brasileiros.
Lula também mencionou a importância da fiscalização de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público para garantir que as medidas de controle de preços sejam eficazes e que a população não seja prejudicada por especulações. A busca por estabilidade e paz, tanto no cenário internacional quanto nos preços dos combustíveis no Brasil, foi o recado principal transmitido pelo presidente.


