Lula expressa desejo de reestatizar empresas estratégicas e critica privatizações passadas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou publicamente o desejo de reverter a privatização de empresas consideradas estratégicas para o Brasil. Em tom crítico, ele associou esses processos a uma “falta de competência” de gestores públicos para administrar companhias estatais e lidar com seus trabalhadores.
Durante visita à Fafen-SE, em Pedra Branca, no município de Laranjeiras, onde a unidade de fertilizantes terá suas operações reativadas, Lula abordou o tema das privatizações. A declaração ressoa com a promessa de seu governo de fortalecer o papel do Estado na economia.
O presidente lamentou a existência de obstáculos legais e financeiros que dificultam a recompra de empresas já vendidas. Essas dificuldades, segundo ele, foram criadas para encarecer o processo e desencorajar a retomada do controle estatal. Conforme informação divulgada em seu discurso, Lula ainda considera a possibilidade de trazer a Eletrobras de volta para ser uma empresa pública, mas ressalta os altos custos envolvidos.
Eletrobras e BR Distribuidora no radar
Lula citou especificamente a Eletrobras, afirmando que “a privatização foi tão canalha que disseram que será três vezes mais caro para o governo comprar”. Ele também mencionou a BR Distribuidora, que ainda utiliza o nome da Petrobras, indicando que a recompra só seria possível em 2029. O presidente classificou a forma como essas empresas foram vendidas como “sórdida”.
Crítica à gestão pública e trabalhadores
A decisão de privatizar empresas públicas, na visão do presidente, está diretamente ligada à incapacidade de gestão daqueles que são indicados para administrá-las. Ele argumentou que alguns gestores não possuem a competência necessária para gerir o patrimônio público.
“Tem gente que acha que é só vender. É gente que não tem competência. Eles desmontam a coisa pública para entregar de graça, por não saberem administrar nem lidar com o trabalhador”, declarou Lula durante seu discurso, reforçando sua visão sobre a importância da gestão pública qualificada e do diálogo com os trabalhadores.
O futuro das estatais e o papel do Estado
A fala do presidente reacende o debate sobre o papel das empresas estatais na economia brasileira e a estratégia de desenvolvimento do governo Lula. A possibilidade de reverter privatizações levanta questões sobre o modelo econômico a ser seguido e os impactos dessa decisão para o mercado e a sociedade.
A reativação da Fafen-SE, por exemplo, demonstra um movimento em direção ao fortalecimento da capacidade produtiva nacional em setores estratégicos, como o de fertilizantes, que é crucial para o agronegócio brasileiro.


