Novo Líder do Irã, Ayatollah Mojtaba Khamenei, Anuncia Mudanças no Estreito de Ormuz e Aconselha Vizinhos do Golfo Pérsico
O recém-empossado líder Supremo do Irã, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei, proferiu um discurso à nação nesta quinta-feira (9), reafirmando a intenção do país em implementar novas regras para a gestão do Estreito de Ormuz. A declaração ocorre em meio a um cenário de tensões elevadas na região e em memória ao seu pai, o falecido líder Ali Khamenei.
Em seu pronunciamento, transmitido pelas emissoras iranianas, Khamenei também estendeu um conselho aos países do Golfo Pérsico, instando-os a se distanciarem de Israel e dos Estados Unidos. Ele enfatizou que o Irã levará em consideração todas as frentes de batalha no Oriente Médio, incluindo Líbano e Faixa de Gaza, no seu planejamento estratégico.
“Certamente levaremos a gestão do Estreito de Ormuz a um novo patamar. Não fomos e não somos belicistas, mas não renunciaremos a nenhum dos nossos direitos legítimos. E, nesse sentido, consideramos a união de toda a frente de Resistência”, declarou Mojtaba Khamenei. A fala foi divulgada conforme informação veiculada pelo veículo de comunicação iraniano, em meio a homenagens ao 40º dia da morte de seu pai.
O Eixo da Resistência e a Importância Estratégica de Ormuz
A chamada “frente da Resistência”, ou Eixo da Resistência, engloba grupos e partidos que se opõem às políticas de Israel e dos EUA na região, como o Hezbollah no Líbano, o Hamas em Gaza e os Huthis no Iêmen. A menção a essa frente demonstra a articulação regional defendida pelo novo líder iraniano.
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima de vital importância, por onde transita aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás do planeta. Seu fechamento, que já ocorreu como retaliação iraniana a bombardeios sofridos dos EUA e Israel, causou elevações significativas nos preços globais de energia.
Mensagem aos Vizinhos do Sul e Exigência de Indenização
Mojtaba Khamenei dirigiu uma mensagem específica aos “vizinhos do Sul” do Irã, referindo-se aos países do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita. Ele os alertou sobre o perigo das “falsas promessas dos malignos” e os incentivou a observar e compreender os eventos recentes.
“Aos nossos vizinhos do Sul, eu digo: Vocês estão testemunhando um milagre. Portanto, observem com atenção e compreendam-no bem, permaneçam no lugar certo e cuidado com as falsas promessas dos malignos”, disse o líder supremo. Ele aguarda uma “resposta adequada” desses países para demonstrar fraternidade, mas condiciona isso ao distanciamento dos “poderes arrogantes”.
O líder iraniano também reafirmou a intenção do país em exigir uma indenização “por todos os danos causados, o pagamento do sangue dos mártires e o pagamento do sangue dos feridos nesta guerra”.
Apelo ao Povo Iraniano e União Nacional
Em seu pronunciamento, Ayatollah Seyyed Mojtaba Khamenei fez um apelo direto ao povo iraniano, ressaltando a importância de manterem a mobilização nas ruas. Ele descreveu essa presença como um “pilar crucial da dignidade” do Irã e alertou que a negociação com o inimigo não diminui a necessidade dessa demonstração de força popular.
O líder Supremo destacou que os 40 dias de guerra aproximaram os corações do povo iraniano, reduzindo as diferenças e unindo os cidadãos sob a “bandeira da pátria”. Ele pediu apoio mútuo para mitigar as dificuldades econômicas decorrentes do conflito e alertou sobre a influência da propaganda inimiga veiculada pela mídia internacional.
“Esses meios de comunicação não desejam o bem do nosso país, e isso já foi comprovado inúmeras vezes. Portanto, devemos evitá-los completamente ou abordar suas publicações com extremo ceticismo”, concluiu Khamenei, pedindo cautela com as informações externas.


