Presidente do Irã nega inimizade com povo americano e aponta Israel como manipulador de conflito contra Teerã
Em uma declaração que busca desmistificar a relação entre Irã e Estados Unidos, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, enviou uma carta aberta ao povo americano, publicada na rede social X. Na missiva, ele enfatiza que o povo iraniano não nutre hostilidade contra outras nações, incluindo os americanos, europeus ou vizinhos.
Pezeshkian busca combater o que chama de “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas”, destacando que a cultura iraniana sempre distinguiu governos de seus povos, um princípio que transcende a política momentânea.
A carta, divulgada em inglês, aborda o histórico de intervenções estrangeiras e a percepção de ameaça militar por parte dos EUA nas proximidades do Irã, defendendo que as ações iranianas são de legítima autodefesa, conforme informações divulgadas na quarta-feira (1º).
Histórico de desconfiança e intervenções americanas
O líder iraniano ressaltou que o Irã, apesar de ser uma das civilizações mais antigas, “nunca escolheu o caminho da agressão”. Ele contrapôs essa postura ao posicionamento militar dos Estados Unidos ao redor do Irã, um país que, segundo ele, “nunca iniciou uma guerra” desde a fundação dos EUA.
Pezeshkian citou a Operação Ajax, o golpe de 1953 orquestrado pelos EUA e Reino Unido que derrubou o primeiro-ministro democraticamente eleito Mohammad Mossadegh após a nacionalização do petróleo. Esse evento, segundo o presidente, “desestruturou o processo democrático iraniano” e semeou uma profunda desconfiança em relação às políticas americanas.
A desconfiança, segundo a carta, se aprofundou com o apoio dos EUA ao regime do Xá, a ajuda a Saddam Hussein durante a guerra Irã-Iraque, a imposição de sanções e agressões militares diretas. Ele também mencionou que, mesmo em meio a negociações, o Irã sofreu agressões.
Avanços iranianos e o impacto das sanções
Apesar das pressões, Pezeshkian argumentou que o Irã se fortaleceu após a Revolução Islâmica, com triplicação das taxas de alfabetização, expansão do ensino superior e avanços em tecnologia e infraestrutura. Ele destacou que “essas são realidades mensuráveis e observáveis”.
Contudo, o presidente reconheceu o “impacto destrutivo” das sanções, guerras e agressões sobre o “resiliente povo iraniano”. “Quando a guerra inflige danos irreparáveis a vidas, lares, cidades e futuros, as pessoas não permanecem indiferentes aos responsáveis”, afirmou o líder.
Questionamentos sobre a influência israelense e os interesses americanos
Pezeshkian questionou se os interesses do povo americano estão sendo atendidos pela guerra atual. Ele levantou dúvidas sobre a justificativa para o que chamou de “massacre de crianças inocentes” e “destruição de instalações farmacêuticas”.
O presidente iraniano acusou Israel de fabricar uma ameaça iraniana para desviar a atenção global de seus “crimes contra os palestinos”. Ele indagou se Israel não está buscando “lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano”, visando interesses ilegítimos.
“Convido vocês a olhar além da máquina de desinformação”, concluiu Pezeshkian, incentivando os americanos a conversarem com quem visitou o Irã e a observarem os iranianos bem-sucedidos no exterior para contrastar com as “distorções” apresentadas sobre o país e seu povo.
Contexto de conflito e pronunciamento de Trump
A carta de Pezeshkian surge em um momento de escalada de tensões, com ataques combinados entre Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completando um mês sem perspectiva de acordo. Autoridades iranianas importantes, como o líder supremo Ali Khamenei, estariam entre os mortos.
O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, impactando o mercado internacional de petróleo e elevando os preços. Pesquisadores alertam para riscos ambientais e climáticos associados. O presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação sobre a guerra.


