Câmara Legislativa do DF convoca presidente do BRB e secretário de Economia para explicar rombo financeiro após ausência em audiência.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal tomou uma medida drástica ao aprovar a convocação do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e do secretário adjunto de Economia do DF, Daniel Isaías de Carvalho. A decisão ocorreu após ambos faltarem a uma audiência pública crucial, descumprindo um acordo prévio com o legislativo local, o que gerou forte insatisfação entre os deputados distritais.
Inicialmente, os representantes do BRB e da Secretaria de Economia haviam sido convidados para a audiência, com a promessa pública de que compareceriam espontaneamente para esclarecer a controversa e fracassada operação de aquisição do Banco Master, além de detalhar as medidas de governança adotadas pela instituição financeira pública. A ausência, no entanto, transformou o convite em convocação obrigatória, intensificando o escrutínio sobre as finanças do banco.
O presidente da CCJ, deputado distrital Thiago Manzoni (PL), expressou seu descontentamento, ressaltando que a ausência não se trata apenas de um desrespeito à comissão, mas sim ao próprio cidadão do Distrito Federal. Ele enfatizou o direito da população em saber o que está ocorrendo com o BRB, uma instituição financeira pública de grande relevância para a economia local, movimentando bilhões de reais.
Críticas à falta de transparência e ao descaso com o legislativo.
A ausência dos convocados também foi duramente criticada pelo deputado Fábio Félix (PSOL). Ele citou diversas reportagens que evidenciam a gravidade dos fatos envolvendo o banco público e lamentou a postura das autoridades do DF diante das demandas legislativas. Félix destacou que o gabinete dele, assim como outros na Câmara, tem enfrentado dificuldades em obter informações essenciais sobre o caso.
O deputado do PSOL apontou que as respostas do BRB têm sido consistentemente negativas, baseadas em argumentos de sigilo para justificar a recusa em fornecer documentos e informações. Segundo Félix, essa falta de acesso impede que os parlamentares compreendam a real situação do banco e a atuação do governo do DF, tornando os depoimentos essenciais para o esclarecimento dos fatos.
Responsabilidade política recai sobre o ex-governador Ibaneis Rocha.
Fábio Félix argumentou que a responsabilidade política pelo ocorrido é clara, uma vez que o governo do DF é o controlador do BRB. Ele lembrou que foi o ex-governador Ibaneis Rocha quem encaminhou os projetos de lei à Câmara Legislativa para viabilizar a operação de aquisição do Banco Master. O deputado ressaltou que a atuação política de Rocha foi fundamental para a aprovação rápida desses projetos.
“Quem atuou politicamente para que os dois projetos fossem aprovados com muita rapidez e celeridade foi o governador Ibaneis Rocha. Então não se trata de pré-julgamento jurídico. A responsabilidade política está clara”, declarou Félix, reforçando a tese de que a **responsabilidade política pelo rombo do BRB recai sobre a gestão anterior**.
Ex-governador Ibaneis Rocha também é convocado pela CPMI do Crime Organizado.
Em um desdobramento paralelo, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, também foi convocado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado, no Congresso Nacional. Assim como no âmbito distrital, Ibaneis Rocha não compareceu à sessão, o que levou o colegiado a aprovar sua convocação. Ele também era esperado para prestar esclarecimentos sobre as negociações do BRB para a compra do Banco Master, negócio que acabou sendo impedido pelo Banco Central.
Entenda o caso: O rombo bilionário e a crise de confiança no BRB.
O Banco de Brasília (BRB) tem enfrentado uma grave crise de confiança e problemas de liquidez. Esses desafios surgiram devido aos prejuízos decorrentes da **compra bilionária de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez** negociados pelo Banco Master. A Polícia Federal já iniciou uma investigação para apurar suspeitas de fraude na aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, um escândalo que abala a solidez da instituição financeira pública do DF.


