Irã ameaça retaliar Israel e reavaliar cessar-fogo após ataques no Líbano
O Irã sinalizou que pode romper o cessar-fogo e iniciar uma ofensiva de defesa em grande escala caso Israel prossiga com os bombardeios contra o Líbano. Fontes do governo iraniano indicaram que Teerã está considerando retomar os ataques, interpretando as ações israelenses como uma violação do acordo de trégua.
A mídia estatal iraniana, como a Press TV, citou um alto funcionário da segurança que alertou sobre a possibilidade de uma resposta imediata. Esse funcionário pediu a intervenção de países mediadores para garantir que o cessar-fogo seja estendido a todas as áreas de conflito, incluindo o Líbano e a Faixa de Gaza, que têm sido alvos de ataques israelenses há 40 dias.
As tensões aumentam com a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo e gás mundial. Essa medida, defendida por Ebrahim Rezaei, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, seria uma resposta direta à que ele chamou de “invasão selvagem dos sionistas ao Líbano”. Conforme divulgado pela mídia iraniana, as Forças Armadas do país afirmaram que manterão um controle “inteligente” sobre o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás.
Israel intensifica ataques ao Líbano, ignorando apelos de paz
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou apoio ao acordo de cessar-fogo negociado entre Estados Unidos e Irã, mas ressaltou que o Líbano ficaria de fora dessa trégua. As Forças de Defesa de Israel (FDI) relataram ter bombardeado aproximadamente 100 alvos no sul do Líbano e em Beirute em um curto período. O Ministério da Saúde libanês informou que os ataques resultaram em dezenas de mortos e centenas de feridos, com imagens de destruição circulando nas mídias locais.
Hezbollah e Líbano pedem cautela e criticam ações israelenses
O Hezbollah orientou os moradores deslocados pela guerra a não retornarem às suas casas até que um cessar-fogo oficial seja decretado no Líbano. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, lamentou os ataques israelenses contra áreas residenciais e densamente povoadas, criticando o que chamou de desprezo pelas leis internacionais e humanitárias. Ele destacou que Israel parece ignorar os esforços regionais e internacionais para deter a guerra.
Mediação internacional busca preservar o cessar-fogo frágil
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador no frágil cessar-fogo entre Irã e EUA, expressou preocupação com a violação do acordo, afirmando que isso compromete o processo de paz. Sharif fez um apelo urgente para que todas as partes demonstrem moderação e respeitem o cessar-fogo de duas semanas acordado, permitindo que a diplomacia prevaleça em busca de uma solução pacífica. Até o momento, o conflito, que começou em 2 de março, já causou mais de 1,5 mil mortes e deixou mais de 4,8 mil feridos no Líbano, além de ter danificado 93 unidades de saúde e resultado na morte de 57 profissionais da área, forçando o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.


