Lula e Merz criticam guerra no Oriente Médio e ameaças contra Cuba em encontro na Alemanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressaram profunda preocupação com a atual guerra no Oriente Médio e as ameaças de intervenção militar em Cuba durante seu terceiro encontro oficial desde 2023. A reunião, realizada em Berlim, também serviu para fortalecer laços bilaterais e discutir acordes de cooperação em diversas áreas.
A escalada da violência no Oriente Médio e a paralisia da ONU foram pontos centrais da conversa. Ambos os líderes defenderam soluções diplomáticas e criticaram a prevalência da força sobre o direito internacional, ressaltando os impactos globais dos conflitos.
Além das questões de segurança internacional, o encontro abordou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, com destaque para a cooperação em tecnologia, biocombustíveis e minerais críticos. As informações foram divulgadas após a entrevista coletiva dos líderes, conforme relatado na fonte original.
Guerra no Oriente Médio: Críticas à ONU e Apelos por Paz
Lula reiterou que o conflito no Oriente Médio não tem justificativa e criticou a omissão da Organização das Nações Unidas (ONU) em promover soluções diplomáticas. Ele destacou a preocupação com os riscos de retomada do conflito no Irã e a escalada no Líbano, além da ameaça à sobrevivência do Estado Palestino.
O presidente brasileiro também mencionou o conflito na Ucrânia, onde a paz se mostra cada vez mais distante. Lula lamentou a paralisia da ONU diante da inação de alguns e o silêncio de outros, defendendo uma reforma no Conselho de Segurança para recuperar sua legitimidade, uma posição histórica do Brasil e da Alemanha.
Friedrich Merz informou que solicitou uma reunião extraordinária na ONU para discutir medidas a serem propostas. Ele lamentou o fechamento do Estreito de Ormuz, no Irã, e suas graves implicações econômicas globais. Merz apelou por um cessar-fogo e instou os EUA a buscarem soluções diplomáticas, alertando que as consequências da guerra podem levar a uma desestabilização política mundial.
Cuba: Alemanha sem Base Legal para Intervenção
Sobre a situação de Cuba, Friedrich Merz afirmou categoricamente que a Alemanha não vê base legal para qualquer intervenção no país caribenho. Ele questionou a necessidade de uma intervenção, pois não percebe perigo para países terceiros, e reforçou o apelo por soluções diplomáticas.
Merz ressaltou que o direito de um país se defender não confere o poder de interferir em nações com sistemas políticos que não agradam. Essa declaração reforça a posição alemã de respeito à soberania das nações.
Lula ecoou essa posição, reafirmando sua contrariedade a intervenções unilaterais em Cuba, Venezuela, Ucrânia, Irã e Faixa de Gaza. Ele defendeu o respeito à integridade territorial e criticou a ingerência política sobre a organização social de outros países, mencionando também o bloqueio econômico dos EUA a Cuba.
Acordo Mercosul-UE e Cooperação Estratégica
Os líderes celebraram a aprovação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor provisoriamente em maio. Merz destacou que o acordo fomentará a cooperação em tecnologia, inteligência artificial, economia circular, agricultura e energia.
Lula vê o acordo como um modelo de parceria abrangente, que valoriza trabalhadores, direitos humanos e o meio ambiente. No entanto, ele criticou mecanismos unilaterais europeus de cálculo de carbono que desconsideram o baixo nível de emissões brasileiras de fontes renováveis, argumentando pela necessidade de equilíbrio e métricas fidedignas nas negociações.
Minerais Críticos e Biocombustíveis: Foco no Futuro
A Alemanha demonstrou interesse em explorar o setor de minerais críticos no Brasil, essenciais para tecnologias modernas e a transição energética. Lula enfatizou a posição brasileira de não ser apenas fornecedor, mas também desenvolvedor de tecnologia, atraindo cadeias de processamento para o país.
Ambos os líderes destacaram o potencial de parceria em biocombustíveis. Lula defendeu a superação da resistência europeia aos biocombustíveis, citando o conhecimento brasileiro na produção de etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos ou áreas florestais, como ferramenta para a descarbonização do setor de transporte.
Merz concordou, apontando o exemplo de um caminhão a biocombustível exposto na feira de Hannover, demonstrando que a Europa pode aprender com o avanço brasileiro nessa área e diversificar suas fontes de energia.


