Família brasileira-libanesa morre em bombardeio de Israel ao buscar pertences no Sul do Líbano
Uma tragédia abalou a comunidade luso-brasileira no Líbano. A família brasileira-libanesa, composta por Manal Jaafar, 47 anos, seu filho Ali Ghassan Nader, 11 anos, e o pai Ghassan Nader, 57 anos, foi vítima de um bombardeio atribuído a Israel na localidade de Burj Qalowayh, no sul do Líbano. O ataque ocorreu enquanto buscavam roupas e pertences em sua residência.
Até o momento, os corpos das vítimas permanecem desaparecidos sob os escombros da casa, que ficou completamente destruída. A família havia deixado a região em 2 de março, início da atual fase do conflito, e buscado refúgio na capital, Beirute. O retorno temporário ao sul visava coletar mais itens essenciais antes de voltar para a capital.
Conforme relatado por Bilal Nader, irmão de Ghassan e que reside em Foz do Iguaçu, no Paraná, Ghassan Nader planejava retornar a Beirute no mesmo dia do ataque, mas optou por pernoitar na casa para voltar na manhã seguinte. A Agência Brasil apurou que a família vivia no Brasil por mais de 15 anos, entre 1995 e 2008, período em que Manal Jaafar adquiriu a nacionalidade brasileira e teve filhos no país.
Retorno para buscar pertences e a tragédia imprevista
A família havia retornado a Bint Jbel no último sábado, 25 de maio, com o objetivo de reunir mais roupas e pertences antes de retornar a Beirute. Ghassan Nader, descrito como agricultor de oliveiras e comerciante de eletrônicos, estava com o carro ligado e o porta-malas carregado, pronto para partir, segundo relato de seu irmão Bilal Nader. Ele enfatizou que seu irmão não possuía ligações com partidos políticos e levava uma vida pacata.
Bilal Nader também destacou que a região onde seu irmão residia não era usualmente palco de combates recentes, contrastando com áreas mais avançadas onde os bombardeios eram mais frequentes. A região ao redor da casa era composta por construções civis e população comum.
Outro filho ferido e a vida da família no Brasil
O bombardeio também feriu outro filho do casal, o estudante Kassam Nader, de 21 anos, que cursa computação no Líbano. Ele recebeu alta hospitalar nesta terça-feira, 28 de maio. O casal possuía ainda outros dois filhos mais velhos, de 28 e 26 anos, que residem e trabalham no exterior.
O jornalista libanês naturalizado brasileiro Ali Farhat, amigo de Ghassan Nader, o descreveu como uma pessoa culta, formada em economia e autora de um livro sobre economia mundial. Farhat relembrou que Ghassan era ativo na comunidade libanesa no Brasil, atuando como empresário e intelectual, antes de decidir retornar ao Líbano para viver com sua família.
Contexto do conflito e posição do Brasil
A Agência Brasil buscou a Embaixada de Israel no Brasil para obter um posicionamento sobre o bombardeio, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio, com cerca de 22 mil cidadãos em 2023, segundo o Ministério das Relações Exteriores. O Brasil condenou os ataques ocorridos durante a vigência de um cessar-fogo.
A atual fase da guerra entre Israel e o Hezbollah teve início em outubro de 2023. Um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 foi violado por Israel. O Hezbollah retomou ataques em 2 de março, em resposta às violações e ao assassinato do líder supremo do Irã. Apesar de um novo cessar-fogo anunciado em 8 de abril, Israel continuou com ataques no Líbano.
Israel defende zona de segurança e acusações de limpeza étnica
O governo israelense tem defendido a ocupação do sul do Líbano até o Rio Litani, alegando a necessidade de criar uma zona de segurança contra ataques do Hezbollah. Especialistas em geopolítica, como Anwar Assi, afirmam que as ações de Israel no sul do Líbano configuram uma limpeza étnica, visando expulsar os moradores da região e tomar territórios. A destruição de infraestruturas civis, como escolas e hospitais, é apontada como parte dessa estratégia para impedir o retorno da população.
A comunidade internacional acompanha com preocupação a escalada da violência e suas consequências humanitárias. A situação no sul do Líbano é complexa, envolvendo disputas territoriais e tensões políticas que impactam diretamente a população civil, incluindo famílias com laços com o Brasil.


