Lula pressiona governador do Rio de Janeiro a combater milícias e “ladrões” que teriam dominado o estado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto ao governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, para que concentre seus esforços em prender “ladrões e milicianos” que, segundo ele, têm comandado o estado nos últimos anos. A declaração ocorreu durante a inauguração da nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, no Rio.
“Ninguém está esperando que você faça um viaduto. Ninguém está querendo que você faça uma ponte. Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado. E deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, disse Lula.
O presidente expressou preocupação com a imagem do Rio de Janeiro, um dos estados mais conhecidos mundialmente, e lamentou ouvir nos noticiários que o crime organizado e facções teriam tomado conta do território. Lula garantiu que Couto terá todo o apoio do governo federal nesta empreitada.
PEC da Segurança Pública e o papel da União
Lula reiterou a importância da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, a PEC da Segurança Pública, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda aval do Senado. O objetivo é a criação do Ministério da Segurança Pública, o que, segundo o presidente, ajudará a definir o papel da União no combate à criminalidade, já que a Constituição de 1988 limita a atuação federal na área.
“Muitas vezes, o governador fica refém da polícia. E aí, não se liberta mais”, comentou Lula, destacando a necessidade de maior autonomia e clareza nas responsabilidades para o enfrentamento efetivo das questões de segurança pública no estado.
Um apelo por resultados em poucos meses
O presidente incentivou o governador a aproveitar os meses restantes de seu mandato para “ajudar a consertar esse estado”. Lula enfatizou que o povo do Rio de Janeiro espera ações concretas contra o crime organizado, em vez de grandes obras. “Não é possível esse estado poderoso, bonito, ser governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso”, concluiu.
Contexto da interinidade de Ricardo Couto
É importante notar que Ricardo Couto assumiu o cargo de governador interino do Rio de Janeiro após uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em abril. Zanin determinou que Couto permanecesse no cargo até que a Corte decidisse sobre a realização de eleições suplementares para o Executivo estadual.


